O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19, senador Omar Aziz (PSD), escancarou com todas as tintas o racha ocorrido no grupo majoritário, o G7, após o relatório final do senador Renan Calheiros (MDB/AL) ter vazado para órgãos de imprensa com a informação de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seria denunciado por 11 crimes, entre eles o de genocídio.
Falando ao podcast Manaus360, da jornalista Cynthia Blink, Omar disse que “Renan é muito experiente, mas só faz o que quer”.
Mais cedo Omar Aziz havia reclamado que Renan vazou propositalmente o relatório para forçar os demais senadores a concordarem com as teses dele ou então assumirem o ônus de retirar do relatório, no voto, os pontos controversos, como a denúncia por genocídio de povos indígenas e a sugestão de indiciamento dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio, o deputado federal Eduardo e o vereador carioca Carlos, por crimes que vão de advocacia administrativa – caso de Flávio, que levou um empresário até o BNDES – até disseminação de desinformação.
O racha no grupo majoritário foi exposto no início desta terça-feira (19) e ao longo de todo o dia de ontem (18) quando, inclusive, Omar não serviu aos colegas o tradicional jantar regado a arroz de bacalhau que se tornou tradicional desde o início da CPI.
Sentindo que o clima pesou no final dos trabalhos, a “turma do deixa disso” do G7, formada pelos senadores mais experientes, Tasso Jereissatti (PSDB/CE) e Otto Alencar (PSD/BA), conseguiu costurar um acordo para que hoje à noite, na casa do cearense, fosse realizada uma última reunião do grupo para aparar as arestas antes do relatório ser lido no plenário da comissão, o que está previsto para esta quarta-feira (20).
Texto: Gerson Severo Dantas
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