O vice-presidente, Hamilton Mourão (Republicanos), registrou sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (9) e se autodeclarou como branco, diferentemente do que fez em 2018, quando informou ser indígena.
Preterido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou o general Braga Netto para ser seu vice, Mourão decidiu disputar a vaga de senador pelo Rio Grande do Sul.
Antes filiado no PRTB de Levy Fidelix, o vice-presidente migrou para o Republicanos em março e será candidato na chapa em que o deputado Onyx Lorenzoni (PL-RS) concorrerá ao governo estadual.
Há quatro anos, Mourão se chamou de “cacique Mourão”, disse que seu pai era amazonense e sua avó “era cabocla de Humaitá”.
“Eu sou pardo? Eu sou negro? Eu sou asiático? Eram as opções que eu tinha, e a quinta opção era indígena”, disse o então candidato a vice na chapa de Bolsonaro.
Dias antes, em um evento em Caxias do Sul (RS), ele havia dito que o Brasil herdou a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos africanos. Em seguida, negou que a declaração tinha sido preconceituosa e disse que, inclusive, era descendente de indígenas.
“Temos uma herança cultural, uma herança que tem muita gente que gosta do privilégio (…) Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem (…) é oriunda do africano”, afirmou. “Então, esse é o nosso cadinho cultural. Infelizmente gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas”, disse.
A região Sul, onde Mourão concorrerá neste ano, é uma das mais brancas do país.
Texto: Marianna Holanda e Ranier Bragon (FolhaPress)
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