Um dos líderes do Centrão na Câmara Federal, o deputado amazonense Marcelo Ramos (PL) é um dos maiores críticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), mas já convive com a imagem de “isentão independente”. A analise é do sociologo Francinézio Amaral, ao comentar entrevista dada por Ramos ao jornal O Estado de São Paulo, nesta segunda-feira (22), com muitas críticas a Bolsonaro, que praticamente bancou a eleição dele e do presidente Arthur Lira (PP/AL) no início deste mês
Para Amaral, o deputado é mais um político que adere ao termo da moda entre os políticos brasileiros ao se declarar como mais um “isentão” independente e, com isso, se esquiva das responsabilidades de enfrentar as trapalhadas e incompetências do Governo Federal que ele e partido dele ajudaram a eleger.
“Essa atitude é típica da gênese dos partidos do chamado “centrão” e que sempre desafia tanto as teorias, quanto o próprio cotidiano das relações políticas, uma vez que não existem atitudes isentas de interesses em qualquer situação da vida social. Assim, num espectro macro a atitude do deputado configura mais uma mostra da correlação de forças da qual resulta o “acordo” que liberou cerca de R$ 3 bi em emendas e a distribuição de cargos, feito pelo atual ocupante do Palácio do Planalto para garantir a eleição de seu aliado, para a presidência da Câmara dos Deputados”, analilsou o sociólogo.
Sou ‘independente’, diz Marcelo
A postura de Marcelo de buscar o centro político atrai críticas tanto de bolsonaristas, que estão na extrema direita do espectro político, que o veem como um comunista infiltrado devido ao fato dele ter iniciado a carreira política no PCdoB. Já na esquerda, Marcelo é visto como um bolsonarista envergonhado, posto que aceitou compor uma chapa apoiada pelo presidente e em 2019 foi o relator da Reforma da Previdência encaminhada pelo governo.
Marcelo, contudo, se considera um político “independente” em relação ao governo e ao presidente Arthur Lira. Independência essa, segundo ele, bem diferente de Hamilton Mourão.
“O vice-presidente Mourão foi eleito na chapa (de Bolsonaro); na Câmara são votações individuais. Mas assim, eu sou absolutamente alinhado ao deputado Arthur Lira. Acontece que nas pautas de costumes do governo Bolsonaro, eu não tenho alinhamento com isso. Ele já sabia disso antes de nós compormos”, disse.
Na entrevista ao Estadão desta segunda-feira, Marcelo Ramos (PL) disse que o “bolsonarismo radical” atrapalha a agenda econômica do próprio governo de Jair Bolsonaro (Sem partido) com pautas identitárias, que dizem respeito aos interesses e perpectivas de grupos sociais, como posse e porte de arma e questões de gêneros nas escolas. Mas o posicionamento do parlamentar tem sido definido como “isentão”.
“Nós temos coisas mais importantes para resolver. Eu acho que o problema é a hostilidade desse debate de costumes”, disse Ramos.
Zona Franca de Manaus
Ramos comentou também sobre o decreto de Bolsonaro que reduz os impostos sobre a importação das bicicletas, afetando diretamente a Zona Franca de Manaus (ZFM).
“Nós abrimos um diálogo com o ministro Paulo Guedes, e a bancada (do Amazonas) vai apresentar projeto para sustar a medida. O problema da bicicleta é que as pessoas querem olhar só sob a lógica do ciclista. E elas precisam olhar sob a lógica do operário que trabalha na indústria. Se você abaixa demais o imposto, inviabiliza a indústria local”, afirmou.
O sociólogo concorda que as falas do deputado sobre facilitação do porte de armas, ausência de combate ao desemprego e reestruturação da economia, bem como a ZFM são muito importantes, mas carecem de abordagens mais efetivas.
“[Essas ações] carecem de uma abordagem mais efetiva para a busca de soluções e não de tentativas de se esquivar das responsabilidades, dando continuidade à velha política do “toma lá, dá cá”, típica dos partidos que compõem o famoso “centrão”, incluindo aí, o atual chefe do Excutivo”, finalizou.
Texto: Milena Soares, com informações do Estadão
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