sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Longe do objetivo, campanha de vacinação do Governo Federal é 3ª mais cara

Sem explicitar todos os gastos, que totalizam R$ 77 milhões , o Ministério da Saúde investiu R$ 23 milhões para promover o chamado "tratamento precoce" em todo o País.
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As autoridades sanitárias de todo o mundo atestam que um país só voltará à normalidade quando pelo menos 70% de sua população estiver imunizada contra a Covid-19. Com 11,26% dos brasileiros imunizados com as duas doses da vacina, até esta terça-feira (15), o Brasil ainda tem uma longa caminhada pela frente e, mesmo tendo desenvolvido a terceira campanha publicitária mais cara dos últimos 11 anos, não tem dado destaque à principal questão de combate à pandemia: a vacinação em massa.

Segundo a reportagem “Campanha da Covid já custa R$ 77 milhões, mas governo é vago ao chamar para vacinar”, do portal Congresso em Foco, até o início deste mês, o Governo Bolsonaro desembolsou R$ 77 milhões para campanha publicitária.

Sem explicitar todos os gastos, o Ministério da Saúde investiu R$ 23 milhões para promover o chamado “tratamento precoce” nas rádios e TVs de todo o país. De acordo com a reportagem, o valor foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

No site do Ministério, principal vitrine da pasta, não há um banner sequer que chame atenção para as campanhas de imunização que ocorrem no Brasil. Em lugar disso, consta em locais pontuais e timidamente o slogan “Pátria Vacinada”.

Nas redes sociais, onde já há estudos que comprovam que é onde a maioria das pessoas busca por informações, também são escassos os cards incentivando a população a se vacinar. Hoje mesmo, por exemplo, as imagens de perfil e capa do Twitter, Facebook e Instagram dão destaque à campanha de doação de sangue. Veja:

Vídeo destaca economia

O Ministério da Saúde contratou a produção de filmetes para exibição em emissoras de TV, que podem se encontrados no perfil da agência de publicidade que produziu a peça. O texto fala em “vacinas” cinco vezes em 60 segundos, sem jamais citar que o imunizante é para Covid, nem ao menos chamar a população para se imunizar . Apenas por três frações de segundo um rótulo com o nome “Vacina Covid-19” aparece na tela – após o narrador ressaltar que a campanha é “um desafio que vai além da saúde. É uma questão humana e econômica”.

As peças em alguns pontos casam com o discurso do presidente Jair Bolsonaro que, desde o início da pandemia, dá mais destaque ao que o país pode perder economicamente, sem se importar com o número de óbitos que está cada vez mais próximo de meio milhão.

Assista:

Comparativo entre os anos

Os R$ 77 milhões gastos com a campanha de vacinação contra a covid representam quase 84% de tudo o que o governo gastou com publicidade em campanhas de imunização em 2021. Esse montante, sozinho, supera valores do ano passado – quando R$ 64 milhões, em totais atualizados, foram gastos em campanhas contra a influenza, sarampo, febre amarela e a multivacinação infantil.

Também em valores atualizados, os gastos com a campanha de publicidade da covid-19 superam, sozinhos, os gastos de campanha nos anos de 2012 (R$ 64,6 milhões), 2013 (R$ 52,9 milhões), 2015 (R$59,5 milhões), 2016 (R$ 60 milhões).

A campanha de vacinação contra a Covid-19 , no entanto, é menor que a ultima campanha voltada a uma nova doença no país. Há dez anos, o governo investiu R$ 115,3 milhões – em valores de 2021 – na campanha de vacinação contra a H1N1 no Brasil. O ano de 2011, aliás, foi o que registrou maior gastos em publicidade para vacinação, quase R$ 173,9 milhões em peças voltadas ao incentivo à imunização infantis, de idosos, da rubéola, da febre amarela e da H1N1.

Da Redação, com informações da assessoria

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