A Câmara Municipal de Manaus (CMM) empossou na manhã desta segunda-feira (14) o ex-vereador Gilmar Nascimento na vaga do vereador Sandro Maia (DEM), que foi cassado pelo Tribunal Regional do Amazonas (TRE-AM) na semana passada por suposto abuso de poder econômico.
Gilmar Nascimento foi empossada em uma sessões solene extraordinária, ocorrida no gabinete da presidência, onde entregou a declaração de bens ao presidente da Câmara, vereador David Reis. Gilmar prestou juramento diante dos vereadores presentes no plenário.
“Não queria estar chegando nesta Casa na forma de entrar numa luta judicial e voltar aqui e tirar um companheiro que também lutou. Não vou entrar no mérito em relação a isso. Nunca estive no Poder Judiciário e no TRE. Nunca conversei com nenhum dos juízes ou desembargadores”, disse o vereador.
Gilmar Nascimento não conseguiu se reeleger nas eleições de 2020. Na legislatura anterior, Nascimento foi membro da base de apoio ao prefeito Arthur Neto (PSDB) e presidente da Comissão de Finanças, a segunda mais importante da CMM.
Na sexta-feira (11), a Câmara foi notificada da decisão do TRE depois de uma tentativa anterior ter sido ignorada pela Casa.
Sandro Maia vai recorrer
Procurado, o vereador Sandro Maia disse que vai recorrer da decisão e se defendeu das acusações de ter uma organização social para angariar votos para a candidatura dele a vereador.
“Tenho uma instituição há anos. Antes de ser político. A Samel tem o ProSaúde e os pastores têm a igreja e estão no poder. Eu, porque sou filho de pobre, nasci no Alvorada, sou da comunidade, tem essa perseguição”, protestou Maia.
Sandro ainda provocou Gilmar Nascimento e disse que ele usou a Secretaria Municipal de Educação para pedir votos. Maia classificou a decisão de injusta. A ação que culminou com a cassação de Sandro Maia foi movida por Gilmar Nascimento, que não conseguiu se reeleger como vereador em 2020.
Ao ser informado que a CMM foi notificada na sexta-feira sobre a decisão do TRE, Maia desejou sorte para Nascimento e disse esperar que agora ele faça um “trabalho que ele nunca fez quando passou 16 anos na Câmara”.
“Nunca usei a Semed para ganhar voto como ele usava dentro das escolas pedindo voto junto com a irmã dele, que é diretora de distrito educacional, mas tudo bem. Acato a decisão da Justiça. Não tem problema nenhum. Vou continuar fazendo o meu trabalho. Mas acho uma injustiça”.
Ambos são do partido Democratas (DEM). Segundo a petição inicial do processo, Maia teria utilizado o Instituto Sandro Maia para obter a maior parte dos votos que o elegeram.
A Corte reiterou, por unanimidade, uma primeira decisão da 1ª Zona Eleitoral do Amazonas que já havia cassado o político em setembro passado. Ainda é possível recorrer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A reportagem entrou em contato com Gilmar Nascimento, mas ele não atendeu.
Texto: Jefferson Ramos
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