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domingo, 14 de agosto de 2022

Garimpo: recuo do governo é elogiado, mas não é ainda suficiente

Políticos e ambientalistas ressaltam que mais do que evitar a abertura de garimpos no Alto Rio Negro, é preciso proibir atividades que geram grandes impactos na Amazônia.

28 de dezembro de 2021

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Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República havia autorizado pesquisa e lavra em oito áreas localizadas em terras indígenas no Amazonas (Foto: Reprodução)

A decisão do Governo Federal de cancelar, nesta terça-feira (28), as autorizações para pesquisa e lavra de minérios em oito áreas da região da Cabeça do Cachorro, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, agradou a políticos e ambientalistas do Amazonas. Eles, no entanto, seguem com o sinal de alerta ligado para novas investidas dos garimpeiros.

O primeiro a se manifestar sobre o assunto foi o ex-prefeito de Manaus Arthur Neto (PSDB), que nas redes sociais publicou uma carta aberta dirigida ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Sua decisão de recuar da concessão de autorização para o garimpo em áreas do Alto Rio Negro traz de volta a racionalidade sobre o tema. Ouvir os órgãos competentes, como a Agência Nacional de Mineração (ANM), Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) nos dá um mínimo de tranquilidade para continuar discutindo à luz da ciência, das questões ambientais e das necessidades reais da nossa população”, escreveu Arthur.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que é comandado pelo ministro Augusto Heleno, informou em nota, nesta segunda-feira (27), que estava cancelando as autorizações após receber novas informações técnicas dos órgãos citados por Arthur Neto.

O ex-prefeito, virtual candidato ao Senado na eleição do próximo ano, também recomendou ao presidente o que chamou de passos “mais largos e definitivos” com vistas a extinguir qualquer forma de garimpo, atividade poluidora ou sonegadora de impostos em áreas da Amazônia e que sempre culminam com crimes ambientais e violência contra populações tradicionais e entre os próprios garimpeiros.

Para o ecologista Marcelo de Araújo, a decisão foi acertada porque a região da Cabeça do Cachorro é uma das mais vulneráveis do ponto de vista ecológico e que sofre uma pressão muito grande de empresários interessados em deixar a terra arrasada.

“Dentre as empresas que receberam as autorizações estão algumas com maior número de autuações por crimes ambientais do Estado”, afirmou.

Em entrevista a TV RealTime1, o cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Phillip Fearnside, alertou que a floresta Amazônica conservada na parte Oeste do Estado, que inclui o Alto Rio Negro e o Alto Solimões – principalmente nesta última região – é a reserva técnica que garante o equilíbrio ao clima em nosso País.

“Perder essa floresta significará perda de água e chuvas na região Sudeste e Sul do Brasil, ou seja será um desastre sem tamanho”, afirmou Fearnside.

Texto: Gerson Severo Dantas

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