Em entrevista ao podcast do perfil “República Debochevique”, o presidente da CPI da Covid no Senado, Omar Aziz (PSD), analisou a popularidade que a Comissão Parlamentar de Inquérito está ganhando, principalmente, nas redes sociais e no microblog Twitter. Aziz também não poupou críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e chamou o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de “subserviente de Bolsonaro”.
“O Pazuello vai para lá (na CPI da Covid) e mente, mente e mente. Ali não é um general (do Exército) de três estrelas. Ali é um subserviente de Bolsonaro”, cutucou Aziz, se referindo às contradições nos depoimentos do ex-ministro sobre as negociações da pasta para comprar vacinas contra a Covid-19 que tiveram ingerência do presidente.
E por investigar as ações do Governo Federal na pandemia, Omar Aziz acredita que a CPI desperta interesse geral na população diretamente atingida pela política catastrófica de Bolsonaro no combate ao vírus Sars-CoV-2 e suas variantes.
“Essa não é uma CPI igual as outras. É uma CPI que está na casa de todos nós, infelizmente, porque todos nós perdemos um amigo, um parente ou um conhecido. Ela não é uma CPI política, por isso muita gente está assistindo. Fala da vida. Ou morrer ou viver”, disse o senador do Amazonas, que revelou ter aumentado de 40 mil para 102 mil o número de seguidores no seu Twitter em um mês em razão da CPI.
Aziz também defendeu seu trabalho e dos outros senadores à frente da CPI da Covid ao afirmar que a comissão goza de credibilidade e quebrou a máxima de que tudo sob investigação em Brasília (DF) ‘termina em pizza’.
“Hoje está consolidada. É uma CPI que já encontrou caminho e achou responsáveis para o que aconteceu no Brasil. Não tem como dar em pizza. Sabemos que o Governo (Federal) nunca quis comprar vacina. Está provado isso. Se quisesse comprar, teríamos no ano passado, só do (Instituto) Butantan, 60 milhões de vacinas”, relembrou.
Gabinete paralelo
O presidente da Comissão Parlamentar citou a descoberta de um “gabinete paralelo” formado por membros do Ministério da Saúde (MS), incluindo o ex-ministro da pasta Eduardo Pazuello, que atuava diretamente no Palácio do Planalto para aconselhar o presidente da República no enfrentamento à pandemia.
Uma das ideias levantadas por esse grupo que ajudaram no agravamento da doença no país foi a falsa teoria que a imunidade de rebanho poderia ser alcançada sem sequer iniciar uma vacinação em massa. “Eles (do Governo Federal) apostaram em um tratamento precoce e na imunização de rebanho orientados por um gabinete paralelo, de pessoas que não têm a menor capacidade de orientar. Até porque o Bolsonaro não acordou um dia e disse: olha, recebi uma mensagem (em sonho) que o que salva é cloroquina e ivermectina. Alguém o induziu porque a capacidade dele de receitar um remédio é zero à esquerda”, disse Omar Aziz.
O senador do PSD ainda previu que nesta semana a CPI comprovará a existência do gabinete paralelo implantado no governo e até o final das sessões daqui a dois meses descobrirá os responsáveis pelo financiamento das fake news no Brasil.
Aziz também destacou no podcast o desinteresse de Bolsonaro e de membros do primeiro escalão do governo pelas frequentes ofertas da Pfizer. A farmacêutica revelou que tentou fechar um acordo com o Ministério da Saúde para que ainda em 2020 disponibilizasse milhões de doses de vacinas contra Covid-19.
Promessa de prisão
Na conversa com a equipe do “República Debochevique”, o senador Omar Aziz voltou a afirmar que pedirá a prisão de Eduardo Pazuello caso o ex-ministro da Saúde minta novamente na CPI da Covid. Isso se não estiver protegido por um habeas corpus como na primeira vez que depôs. O requerimento para reconvocação do general foi aprovado, na quarta-feira passada, junto com a convocação de nove governadores de Estado para também depor na Comissão Parlamentar.
Reforço digital
Aziz revelou que recebe muitas contribuições de internautas e de perfis do Twitter que acompanham regularmente a CPI da Covid e que até sugerem as perguntas para os depoentes. Mas o senador afirmou ser um “analfabeto” digital e que a mídia digital é “terra de ninguém” ao comentar sobre a proliferação de portais, blogs e canais no YouTube que debatem os mais variados temas.
Texto: Diogo Rocha
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