quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Com 12% do eleitorado, Amazônia Legal tem voto mais feminino e jovem

Historicamente, a Amazônia Legal vota mais no PT nas eleições presidenciais, mas o pleito de 2018 marcou o crescimento do eleitorado conservador de direita na região.
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A Amazônia Legal reúne nove estados e corresponde a 59% do território brasileiro (Foto: Mário Oliveira/Mtur)
A Amazônia Legal reúne nove estados e corresponde a 59% do território brasileiro (Foto: Mário Oliveira/Mtur)

O eleitorado da Amazônia Legal representa apenas 12,3% dos votos do Brasil, mas tem decisão de grande impacto: escolhe quem irá gerir nos âmbitos estadual e municipal mais da metade do território do País, onde se concentra a maior floresta tropical do mundo.

A região reúne nove Estados –Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins–, com 59% (mais de 5 milhões de km²) da área total do Brasil.
Historicamente, a região vota mais no PT nas eleições presidenciais.

Em 2018, de acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 51,3% dos amazônidas escolheram Fernando Haddad, do PT, contra 48,7% Jair Bolsonaro, à época do PSL. No geral do País, Bolsonaro venceu com 55,1%, enquanto Haddad chegou a 44,9%.
Assim também foi o resultado das eleições de 2014 e de 2010, com maioria na Amazônia a favor de Dilma Rousseff (PT), e, em 2006 e 2002, de Lula (PT).

Há, no entanto, um movimento à direita, observa o cientista político Alberto Carlos Almeida, autor do livro “O Voto do Brasileiro” (Record). A maioria da população de Manaus, cidade com o maior número de eleitores na região, por exemplo, trocou de lado na eleição de 2018 e votou em Bolsonaro.

Essa mudança também é destacada por Ivan Henrique de Mattos e Silva, professor de ciência política da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e vice-coordenador geral do Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal).

“De 2002 para cá, em especial de 2010 para cá, a gente também verificou [nos trabalhos de pesquisa do grupo] uma trajetória conservadora do voto. Isso para todas as esferas, em todos os pleitos. Houve uma tendência bastante pronunciada de caminho rumo à direita, numa região que tendia a votar sempre com a esquerda”, afirma.

Texto: Carolina Dantas, Flávia Faria, Letícia Pádua, Guilherme Garcia (Folhapress)

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