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terça, 18 de janeiro de 2022

Campanha LGBTQIA+ da Burger King é atacada por vereadores: ‘abominável’

Vídeo de crianças falando sobre diversidade de gênero se tornou alvo dos parlamentares que usaram discursos de intolerância e homofóbicos para atacar rede de fast food.

29 de junho de 2021

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Vereador Wallace Oliveira (PROS) afirmou que tem direito a criticar comunidade LGBTQIA+ (Foto: Divulgação/CMM)

Um grupo de vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) usou 44 minutos do expediente desta terça-feira (29) para criticar novamente a campanha publicitária do Burger King (BG) em alusão ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, celebrado ontem (28). Chamado de “canalhice sem tamanho” e “abominável” por Jander Lobato (PTB), que propôs o debate na sessão de hoje da Casa, o vídeo da rede de fast food apresenta crianças e pré-adolescentes falando sobre diversidade sexual e de gênero ao lado dos seus pais ou responsáveis. 

Com discursos de intolerância e homofobia, além do parlamentar do PTB, os vereadores Wallace Oliveira (PROS), Antônio Peixoto (PTC), Dione Carvalho (Patriota), João Carlos (Republicanos), Márcio Tavares (Republicanos), Professor Samuel (PL), Luís Mitoso (PTB), Eduardo Alfaia (PMN) e Marcel Alexandre (Podemos) também atacaram veementemente a campanha LGBTQIA+ do Burger King. Eles afirmaram ser defensores das crianças, da família tradicional e dos princípios cristãos. 

Não faltaram citações bíblicas, principalmente, da ala evangélica da CMM para dizer como as crianças devem ser educadas pelas famílias tementes à Deus. E demonstrando desconhecimento sobre como a peça publicitária foi idealizada, todos afirmaram que as crianças e jovens do vídeo “Nossa, como eu vou explicar a sigla LGBTQIA+ para as crianças?” seguiram um roteiro pronto. 

“Eu, particularmente, respeito a todos. Mas respeitar não é o mesmo que concordar. Vejo que a propaganda usando crianças para tratar de um tema de sexualidade é uma atrocidade. É algo abominável, tentando tirar a autoridade dos pais”, declarou Lobato, que afirmou não ter preconceito. 

Mas a empresa Burger King já explicou que o vídeo mostra depoimentos reais e espontâneos de filhos de pais gays ou lésbicas, por exemplo, e que durante sua realização teve co-criação com especialistas em psicologia e diversidade. Assista ao vídeo abaixo:

Preconceito e desinformação

Na maioria das falas dos vereadores que atacaram a campanha do Burger King, o argumento era que as crianças não têm maturidade e compreensão sobre sexualidade para debater ou ensinar os pais e responsáveis sobre a temática. O vereador Wallace Oliveira (PROS) ainda afirmou que é um direito dele criticar a comunidade LGBTQIA+. 

“Quer dizer que se lutam por direitos (LGBT), querem direitos, mas não querem conceder direitos? Eu quando manifesto minha opinião por discordar e por não apoiar, sou taxado de homofóbico? Não, é o meu direito, assim como eles têm os direitos deles e eu respeito”, disse Oliveira, antes de insultar de “vagabundos” os criadores da campanha do Burger King e pedir para deixarem “as crianças em paz”.

O vereador Dione Carvalho (Patriota), que enviará um requerimento ao Ministério Público (sem especificar se Estadual ou Federal) sobre a veiculação da campanha, reforçou o discurso que as crianças foram “usadas”. Presidente da Frente Parlamentar Cristã da CMM, o pastor e vereador João Carlos (Republicanos), relembrou a nota de repúdio ao Burger King e que a “Bíblia nos ensina que devemos ensinar as crianças no caminho da fé”.

Também da ala evangélica da Casa Legislativa, o vereador Professor Samuel (PL) afirmou que as crianças são incapazes de decidir algo sobre a vida delas e que a mensagem da campanha publicitária é uma “destruição à sociedade”. O parlamentar ainda aconselhou as pessoas a lerem mais os livros de Provérbios e de Salmos, da Bíblia. 

Líder do PTB na CMM, o vereador Luís Mitoso lembrou com orgulho que em 2015 vetou por meio de emendas a inclusão da educação sobre gênero, diversidade e orientação sexual nas escolas municipais. Ele citou também o decreto, no final de 2020, para tentar incluir a mesma disciplina no Plano Municipal de Educação e que perdeu efeito.

“Nós não estamos falando contra o pecador, porque nós enquanto cristãos amamos o pecador, o que abominamos é o pecado”, afirmou Mitoso, em claro discurso preconceituoso.

O vereador Eduardo Alfaia (PMN), já prevendo críticas que os vereadores receberão por debater a campanha do Burger King em uma sessão da CMM, declarou que sua “pauta nº 1 sempre será a defesa dos valores cristãos, da família e das crianças”. 

“Como vereador, sei que os noticiários no dia de hoje e de amanhã dirão que essa Casa não tem assuntos ou pautas para se discutir. Que na cidade de Manaus, os vereadores passaram a discutir o assunto de sexualidade ou de ideologia de gênero e esqueceram dos outros problemas”, disse Alfaia, culpando a imprensa pela imagem dos vereadores com a opinião pública.

Por último e não menos nocivo no discurso, o vereador Marcel Alexandre (Podemos) acusou a rede de fast food de “seduzir, sequestrar e aliciar ideologicamente as crianças”. Ele também afirmou ser a favor da família e da sociedade. Uma fala que discrimina e exclui as pessoas LGBTQIA+ como cidadãos e que têm direito a constituir uma família. 

Discurso hipócrita

O psicólogo clínico e sacerdote da Sacralidade de Matriz Africana, Alberto Jorge, que é ativista das causas LGBTQIA+, classificou como hipocrisia o posicionamento dos vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) sobre a campanha do Burger King. Ele afirmou que os parlamentares querem se vestir de paladinos da Justiça ao usar um discurso em defesa da moral e das crianças e que tudo não passa de “falácia”.  

“É um absurdo que em esses parlamentares, que no passado simplesmente viviam no pecado e não participaram das discussões da própria Câmara Municipal e Assembleia Legislativa [do Estado], muito menos em nível federal, sobre identidade de gênero e respeito à diversidade cultural e religiosa, não tenham se preparado e estudo minimamente para exercer o cargo, agora se vistam com as armaduras de paladinos da Justiça”, disse Jorge.

Com ironia, o ativista afirmou que os vereadores da CMM deveriam fazer uma campanha para a “procriação responsável dos casais heterossexuais” que abandonam os filhos. “Esses vereadores deveriam assistir, com isenção da ideologia que seguem de direita conservadora, e verificar que aquelas crianças [da campanha do Burger King] não está fazendo nada de errado. Ninguém fez nada de criminoso no vídeo”, declarou.

Ele também afirmou que as crianças têm discernimento e capacidade de entender sobre identidade de gênero. “É incrível como crianças estão dando lições de respeito à diversidade para muito adulto barbado que se esconde atrás de um discurso de moralidade, de respeito à família e defesa das crianças para no fundo ocultar suas perversões”, disse Alberto Jorge, citando como exemplo os abusos sexuais de crianças e adolescentes sofridos, geralmente, dentro dos próprios lares. 

Texto: Diogo Rocha

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