terça-feira, 29 de setembro de 2026

Base de Bolsonaro se frustra com ex-presidente, e aliados acenam para Lula

Um dos reflexos da desmobilização da base bolsonaristas é que alguns parlamentares que foram leais ao ex-mandatário agora já sinalizam uma aproximação com Lula.
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Bolsonaro e Lula

O silêncio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após a derrota na eleição presidencial e a viagem para os Estados Unidos às vésperas de deixar o cargo criaram um sentimento de frustração entre aliados do ex-chefe do Executivo.

A avaliação de antigos aliados é que Bolsonaro adotou decisões equivocadas após perder o pleito e que isso estremeceu sua base eleitoral.

Um dos reflexos da desmobilização da base bolsonaristas é que alguns parlamentares que foram leais ao ex-mandatário agora já sinalizam uma aproximação com Luiz Inácio Lula da Silva (PL).

As cerimônias de transmissão de cargo para os ministros de Lula, ao longo da primeira semana de atividades do novo governo, foram marcadas pelas presenças de alguns políticos que até há pouco estavam nas fileiras bolsonaristas.

Aliados de Bolsonaro acenam para Lula

Um deles foi o senador Wellington Fagundes (PL-MT), do próprio partido de Bolsonaro, que compareceu à posse do novo ministro da Secretaria Especial de Comunicação Social, Paulo Pimenta (PT).

À Folha o parlamentar disse que nunca teve uma posição ideológica radical e não descartou uma proximidade maior com o governo Lula.

No dia seguinte, durante a posse do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, foi notada a presença de Chico Rodrigues (União Brasil-RR), que foi vice-líder do governo Bolsonaro no Senado. Ele ganhou notoriedade ao ser alvo de uma operação da Polícia Federal e ter tentado esconder dinheiro na cueca.

O partido do parlamentar, a União Brasil, indicou três ministérios no governo Lula. Daniela Carneiro foi nomeada para a pasta do Turismo, enquanto que o deputado Juscelino Filho (MA) é titular das Comunicações.

O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (PDT), também é considerado da cota da União Brasil, tendo como fiador o senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Em suas redes sociais, Chico Rodrigues publicou um vídeo no qual afirma que vai se manter “vigilante”, mas por outro lado exalta o novo governo.

“Estamos iniciando um novo ano, com um novo governo que se implanta, governo do presidente Lula que tem todo o compromisso e responsabilidade em tornar a vida dos brasileiros melhor”, afirma o senador, que ainda acrescentou que é preciso “acreditar” e ter “confiar” na nova gestão.

Texto: Marianna Holanda, Renato Machado e Matheus Teixeira (FolhaPress)

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