A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 do Senado tomará o depoimento, na próxima terça-feira (10), do presidente do Instituto Força Brasil, o coronel da reserva do Exército Hélcio Bruno, apontado como responsável por levar o reverendo Amilton Gomes de Paula para um encontro com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, que também foi seu colega de turma na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman).
O nome de Hélcio Bruno surgiu na CPI após o depoimento do representante da Davati Medical Suplly no Brasil, Cristiano Carvalho, que pretendia vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca para o Ministério da Saúde. De acordo com Cristiano, foi Hélcio e o reverendo Amilton Gomes de Paula que intermediaram o negócio com autoridades do Ministério e marcaram uma audiência entre ele e o também representante da Davati, Luiz Paulo Dominguetti, com Élcio Franco.
O coronel da reserva dirige o Instituto Força Brasil, que divulga nas redes sociais e na internet mentiras sobre tratamento precoce, ineficácia de vacinas e ataca os membros da CPI que são críticos ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
“Ele também já é investigado na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News e terá que explicar muitas coisas aqui, como esse interesse na venda de vacinas que sequer tinham e os ataques feito a nós que, aliás, já está claro o porquê”, afirmou o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP).
Presidente da Comissão, o senador Omar Aziz (PSD) revelou que na quarta-feira (11) será a vez do representante da associação Médicos pelo Brasil, entidade que publicou anúncios em diversos jornais brasileiros defendendo o uso da cloroquina e do chamado kit covid no tratamento precoce da doença. “Eles terão de explicar como pagaram esses anúncios e, aí, poderemos seguir a rota do dinheiro”, afirmou Omar.
A semana será fechada com o depoimento do líder do Governo Bolsonaro na Câmara Federal, Ricardo Barros (PP/PR), que terá de explicar a participação dele na negociação entre o Ministério e a Precisa Medicamentos, com sede no Paraná, para a venda de 40 milhões de doses da vacina Covaxin com um sobrepreço de até 50%. A CPI já sabe que o laboratório indiano Bharat Biotech ofereceu o imunizante por US$ 10, mas o contrato firmado envolveu a Precisa como intermediária e elevou o preço da dose para US$ 15, o mais caro que seria pago pelo governo.
Texto: Gerson Severo Dantas
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