O Amazonas tem uma das menores bancadas no Congresso Nacional, mas neste ano a força política dos oito deputados e três senados têm se sobressaído em Brasília, com quase todos eles exercendo postos estratégicos ou de visibilidade para o debate público entre o Governo Federal e a oposição.
Considerada prioridade do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT), a reforma tributária está em análise na Câmara Federal em um grupo de trabalho que visa unificar duas PEC, a 45 e a 110, que tratam do assunto e correm nas duas Casas do Congresso Nacional.
O GT da Reforma é composto por 12 deputados federais, sendo que três são do Amazonas: Saullo Vianna (União Brasil), Sidney Leite (PSD) e Adail Filho (Republicanos). O peso da bancada do Amazonas neste GT despertou ciúmes de parlamentares de outras regiões.
Marcel Van Hatten (Novo/RG) reclamou que no grupo não há um único parlamentar da região Sul e considerou a formação do grupo desproporcional.
“Vamos levar para todo o Brasil os benefícios da Zona Franca de Manaus para assim a comissão ficar balanceada”, reclamou o deputado do Novo.
Além destes que estão atuando no principal debate deste semestre, outros dois deputados da bancada amazonense estão com brilho aceso na bancada do Amazonas: Silas Câmara (Republicanos) e Alberto Neto (PL).
Sempre envolto em polêmicas, Silas Câmara foi eleito para a presidência da poderosa e articulada Frente Parlamentar Evangélica, mas aceitou um acordo de bancada para se revezar, a cada seis meses, no posto com o deputado Eli Borges (PL/TO), que neste semestre está no exercício da presidência. Silas retoma o cargo no segundo semestre.
Alberto Neto por sua vez ganhou protagonismo na bancada ao assumir uma liderança informal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, e parte da oposição de Lula na Casa.
Nos últimos três meses ele participou de diversos programas de televisão e deu entrevistas a jornais e portais assumindo essa missão, que não é exercida sequer pelo filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP).
Titulares em CPIS
O União Brasil, o segundo maior partido do grupo conhecido como Centrão, valorizou seus dois representantes no Amazonas os indicando para compor Comissões Parlamentares de Inquérito abertas na Câmara.
Fausto Júnior será titular na CPI das Americanas, que investiga golpes aplicados pelo trio de multibilionários donos da varejista – Jorge Paulo Lemman, Beto Sicupira e Marcel Telles -, e Saullo Viana para titular da CPI das Apostas Esportivas, escândalo que envolve jogadores de clubes das séries A, B, C e D do futebol brasileiro.
A bancada federal da Câmara também conta com o decano da Casa, Átila Lins (PSD), que em dez mandatos em Brasília jamais gostou de protagonismo, optando sempre por agir nos bastidores em busca de emendas para suas bases e articulações nos ministérios.
Dos oito da bancada na Câmara, o único que não consegui um posto de visibilidade é o mais votado proporcionalmente do País em 2022, Amon Mandel (Cidadania).
O jovem deputado está em um partido pequeno e que tem dificuldades para conseguir visibilidade e, talvez por isso, tenha feito até o momento um mandato com iniciativas com repercussão local, como a criação do “buracômetro”, uma ação que o coloca no rumo de uma candidatura a prefeito no próximo ano.
Ele também integra a comissão externa que está responsável por fiscalizar obras paradas no país e tem aproveitado o assunto para mostrar fragilidades da prefeitura de David Almeida em concluir creches.
Cardeais do Senado
No Senado, a situação dos parlamentares amazonenses segue o mesmo viés de alta da Câmara Federal e os três são referências nos debates políticos mais importantes do semestre.
O senador Eduardo Braga segue líder da bancada do MDB e nessa condição está cotado para presidir a Comissão Parlamentar de Inquérito do 8 de Janeiro, a principal aposta da oposição bolsonarista para encrencar o governo Lula nos atos terroristas de janeiro.
O nome do senador amazonense surgiu neste cenário porque o outro emedebista interessado no posto é o senador Renan Calheiros (MDB/AL), que se assumir o cargo vai despertar a ira do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL).
Renan e Lira são inimigos mortais na política de Alagoas e se Renan emplacar na presidência da CPI, Lira promete articular a indicação de deputados contrários aos interesses do governo para completar a CPI, o que o governo obviamente não quer. O nome de Braga seria um meio termo nessa disputa.
Reeleito no ano passado, o senador Omar Aziz (PSD) ainda colhe os frutos da performance dele na presidência da CPI da Covid, quando se tornou uma das principais vozes anti-bolsonaristas. Até hoje é ouvido pela imprensa quando o assunto é Bolsonaro e os atos de 8 de janeiro. No entanto, não deverá compor a CPI sobre os ataques.
Já o tucano Plínio Valério emplacou, após quatro anos de luta, a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito das Organizações Não Governamentais. De acordo com a tradição, o proponente da investigação se torna automaticamente o presidente da CPI, o que deverá acontecer neste caso.
Para o cientista político Marcos Ribeiro, esse protagonismo dos amazonenses tem a ver com a articulação de pequenas bancadas em Brasília que se juntam para defender interesses locais e convergentes. Ele cita, por exemplo, o tema Zona Franca de Manaus, que hoje não interessa apenas ao Amazonas e reúne facilmente as bancadas de Amapá (8 deputados), Roraima (8), Rondônia (8), Acre (8), Tocantins (8) e Pará (17).
“De oito deputados do Amazonas, a Zona Franca passa a contar com 65 com todas essas bancadas votando junto. E assim segue, com o Pará juntando todos em torno de um interesse local, Tocantins juntando todos em outro interesse local… por ai vai”, analisa.
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