Aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) minimizaram, nesta quinta-feira (11), os atos de leitura de cartas em defesa da democracia e do Estado de Direito pelo país e buscaram atrelar o movimento à esquerda.
A estratégia do entorno do presidente para fazer frente às adesões aos textos pró-democracia é dobrar a aposta nos atos bolsonaristas previstos para o 7 de Setembro.
A expectativa é conseguir no Dia da Independência uma forte adesão de apoiadores nas ruas e, dessa forma, mostrar força por parte do mandatário. Bolsonaro e aliados intensificaram na última semana as convocações para as manifestações do feriado.
Um dos manifestos lido nesta quinta foi organizado em reação a ataques do presidente ao sistema eleitoral e já tem quase um milhão de signatários.
Enquanto atos ocorriam por universidades pelo país com a leitura da carta, auxiliares palacianos buscaram se contrapor à ideia de que Bolsonaro propaga discurso golpista e tentaram divulgar ações positivas do governo.
Bolsonaristas nas redes sociais criaram a hashtag #ADemocraciaÉdeTodos para se contrapor aos atos do dia.
Aliados do presidente sabem que o saldo do dia é negativo para o mandatário, mas a avaliação é a de que os eventos desta quinta não têm efeito eleitoral. Eles dizem que os atos dialogam em boa parte com um público que já não votaria em Bolsonaro e que deve apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Um dos principais argumentos para tachar a carta pró-democracia de movimento de esquerda é o fato de o próprio Lula ter assinado o documento.
Nesta quinta, o chefe do Executivo tentou desviar o foco da leitura da carta na USP e em outros pontos do país.
Texto: Julia Chaib e Marianna Holanda (FolhaPress)
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