quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Pesquisa indica que 86% dos brasileiros estão prontos para novas formas de trabalho

COMPARTILHE

A Pesquisa Global Hopes and Fears 2024, conduzida pela PwC Brasil com mais de 56 mil profissionais em 50 países, incluindo o Brasil, aponta que os trabalhadores enfrentam um cenário de transformação intensa impulsionado pela tecnologia. Enquanto 86% dos brasileiros afirmam estar prontos para se adaptar às novas formas de trabalho, 52% consideram que mudanças demais ocorrem simultaneamente, e 34% não compreendem a necessidade dessas transformações.

O estudo revela que 72% dos brasileiros enxergam as mudanças recentes como positivas para o futuro de suas empresas, um índice superior ao global (60%). No entanto, 43% relatam preocupações com a segurança no emprego, e quase metade dos entrevistados afirmam ter enfrentado aumento na carga de trabalho no último ano. Entre as principais transformações vivenciadas, 56% precisaram aprender novas tecnologias e 47% tiveram suas responsabilidades alteradas.

A inteligência artificial generativa (IA) desponta como uma aliada nesse novo cenário. Mais de 76% dos profissionais brasileiros afirmam ter usado ferramentas como ChatGPT e DALL-E no trabalho pelo menos uma vez no último ano. No entanto, 35% indicam que seus empregadores não forneceram acesso a essas tecnologias, enquanto 14% afirmam que o uso é proibido dentro da empresa. Além disso, 80% dos profissionais acreditam que a IA pode aumentar a eficiência no trabalho, mas também temem riscos como desinformação e preconceitos embutidos nos algoritmos.

Ainda assim, há um descompasso entre a adoção da IA e o nível de capacitação dos profissionais. O estudo aponta que apenas 51% dos brasileiros acreditam que seus empregos oferecem oportunidades adequadas para aprender novas habilidades ligadas à tecnologia. Em contrapartida, 69% dos trabalhadores que pensam em mudar de emprego nos próximos 12 meses consideram a possibilidade de aprendizado um fator decisivo para essa escolha.

A pesquisa destaca ainda a insatisfação com a remuneração e a experiência profissional como fatores que impactam a retenção de talentos. Embora 92% dos entrevistados brasileiros considerem a remuneração justa essencial, apenas 63% acreditam que seus empregos atuais oferecem esse benefício. Além disso, 24% dos brasileiros declararam que pretendem mudar de emprego nos próximos 12 meses, superando os índices registrados durante a chamada “Grande Demissão” de 2022.

O levantamento também revela um aumento na demanda por flexibilidade no ambiente de trabalho. Cerca de 83% dos brasileiros destacam que a flexibilidade é um fator essencial para sua satisfação profissional, mas apenas 66% acreditam que seus empregos atuais atendem a essa necessidade. A desconexão entre expectativas e realidade pode reforçar a movimentação no mercado de trabalho nos próximos meses.

O relatório enfatiza a necessidade de uma liderança mais humanizada e transparente para guiar os profissionais diante das transformações. Segundo Camila Cinquetti, sócia da PwC Brasil, a comunicação eficaz sobre os impactos e benefícios das mudanças pode aumentar o engajamento dos trabalhadores, reduzindo a resistência à inovação e à adoção de novas práticas. Além disso, a pesquisa indica que os líderes precisam investir mais na capacitação de suas equipes para reduzir os efeitos negativos da insegurança digital e das mudanças estruturais nas empresas.

As empresas que investirem na qualificação profissional e no bem-estar dos colaboradores tendem a colher melhores resultados. Estratégias voltadas para o desenvolvimento de competências, flexibilidade no trabalho e implementação responsável da IA generativa podem contribuir para um ambiente mais produtivo e menos estressante. O desafio para as lideranças será equilibrar as demandas de inovação com a necessidade de apoio aos profissionais durante o processo de transformação.

Além disso, a PwC destaca que a valorização das competências individuais e a criação de oportunidades de aprendizado contínuo são medidas essenciais para garantir um ambiente de trabalho mais estável e inovador. As empresas que negligenciarem essas ações podem enfrentar desafios na retenção de talentos e na adaptação às novas dinâmicas do mercado.

Leia mais:

COMPARTILHE