A pesquisa de Produção Agropecuária Municipal (PPM), divulgada nesta quinta-feira (19), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o avanço da pecuária em 2023 pode estar associado ao aumento de desmatamento e queimadas na região Sul do Amazonas.
Conforme os números da PPM, o rebanho bovino do Estado chegou a 2,3 milhões de cabeças, um aumento de 348 mil cabeças de 2022 para 2023.
O número representa quase 25% do aumento total do rebanho dos sete Estados da Região Norte, que foi de 1,9 milhão em 2023. Também representou quase um quarto do avanço registrado em todo o País, que foi de 4 milhões de cabeças.
A associação com o desmatamento e as queimadas para a plantação de pasto pode ser feita porque os maiores rebanhos de bovinos estão concentrados no municípios de Lábrea, com 652 mil cabeças de gado; Boca do Acre, com 475 mil, e Apuí, com 293 mil.
No mesmo ano de referência, dados dos Institutos Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostraram que dois destes três municípios com os maiores rebanhos do Estado foram também os que mais desmataram.
Apuí ficou em segundo lugar no ranking dos dez municípios da região que mais desmataram e, por conseguinte, mais focos de queimadas registraram em 2023, perdendo apenas nesta lista para o município de Feliz Natal, no Mato Grosso.
Lábrea, que em 2023 tinha o maior rebanho do Estado, conforme o PPM/IBGE, foi o quinto município brasileiro que mais desmatou.
Esta associação entre o aumento da pecuária de bovinos e os crimes ambientais também foram captados pela organização não governamental Greenpeace, cujo relatório referente ao anos de 2023 mostrou que o avanço desta atividade e do cultivo de soja, sempre associados a exploração ilegal de madeira e grilagem de terras públicas, estão colocando em risco os povos da Amazônia.
“O rápido avanço do desmatamento ilegal para produção de gado e soja, garimpo ilegal e exploração ilegal de madeira, assim como o roubo de terras públicas (grilagem), vem colocando a natureza e os povos indígenas sobre grave ameaça“, diz um trecho do relatório.
Desmatamento vem caindo neste ano
Os números de 2023 começaram a ser revertidos neste ano com o reforço das ações de comando e controle. No primeiro bimestre, por exemplo, Amazonas registrou uma queda no desmatamento de 59% em comparação com o mesmo período de 2023.
Em termos absolutos, o desmatamento caiu de 76 quilômetros quadrados para 31 quilômetros quadrados, conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento da organização não-governamental Imazon.
Em toda a Amazônia Legal, o desmatamento atingiu neste primeiro bimestre um total de 196 quilômetros quadrados, 63% a menos do que no ano passado, quando a devastação da floresta foi de 523 quilômetros quadrados.
Apesar da boa notícia, o primeiro bimestre de 2024 ainda apresentou um desmatamento acima do registrado no mesmo período entre os anos de 2008 (quando o instituto implantou seu monitoramento por imagens de satélite) a 2017, com exceção apenas de 2015. Em todos os outros anos, a derrubada permaneceu abaixo dos 150 quilômetros quadrados.
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