quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Novo relatório do IBGE destaca fragilidades e desigualdades sociais no sistema de saúde

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Foto: Conass

O IBGE divulgou, nesta quarta-feira (03/07), o estudo “Panorama Nacional e Internacional da Produção de Indicadores Sociais: Estatísticas de Saúde e Serviços Relacionados”, que analisa metodologias, experiências internacionais e dados nacionais sobre saúde. A publicação reúne seis capítulos e é voltada a gestores públicos e ao meio acadêmico.

O material integra a série “Estudos e Análises: Informação Demográfica e Socioeconômica” e discute temas como Contas Nacionais da Saúde, pesquisas domiciliares, saúde escolar, saúde mental, demografia e capacidade instalada de serviços. O objetivo é consolidar um panorama metodológico e comparativo das estatísticas oficiais no campo da saúde.

“Esta publicação pretende dar uma contribuição no reconhecimento do melhor que se produz e onde é necessário se desenvolver”, afirmou Marco Andreazzi, um dos organizadores do volume e autor do capítulo sobre saúde mental.

Ele lembrou ainda os efeitos da pandemia de Covid-19, que “evidenciou grandes fragilidades e desigualdades sociais”.

Segundo o Diretor de Pesquisas do IBGE, Gustavo Junger, o estudo “busca indicar possíveis direções para novos avanços das estatísticas de saúde no plano de trabalho do Instituto”.

Os indicadores apresentados também atendem aos compromissos assumidos pelo Brasil junto à ONU para o monitoramento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para a pesquisadora Clician Oliveira, também organizadora da publicação, “é importante ressaltar a transversalidade do tema. A temática da saúde, quanto a sua avaliação e monitoramento, conta com pesquisas e conhecimentos de diversas áreas e pode, por exemplo, ser relacionada a outros ODS ou identificada em outros órgãos do sistema das Nações Unidas”.

Já Cláudio Crespo, analista e organizador do relatório, destaca que “a análise elaborada dá visibilidade aos obstáculos à integração dos dados e à produção das pesquisas em um país cujas desigualdades sociais em saúde são relevantes”.

Diferenças regionais

O estudo aponta que a transição demográfica, marcada pela queda na fecundidade e pelo aumento da longevidade, ocorre de forma desigual no Brasil.

As regiões Sul e Sudeste passaram por esse processo antes, enquanto Norte e Nordeste ainda concentram populações mais jovens.

“A Região Norte continua sendo a Grande Região mais jovem do País, embora para todas elas o envelhecimento populacional já esteja estabelecido”, registra o texto.

Essas variações impactam diretamente a demanda regional por serviços de saúde. A publicação utiliza dados das Projeções da População por Unidade da Federação (revisadas com base no Censo de 2022), incluindo indicadores como o índice de envelhecimento e a razão de dependência.

Sistema de contas de saúde

O relatório detalha a aplicação de duas metodologias internacionais para mensuração dos gastos com saúde: a Conta-Satélite de Saúde (CSS), já adotada pelo IBGE, e o System of Health Accounts (SHA), padrão da OCDE e da OMS.

A CSS permite avaliar a participação do setor no PIB, a geração de renda e o volume de consumo, mas ainda não possui desagregação regional. Em 2021, as despesas com saúde representaram cerca de 9,7% do PIB nacional.

A SHA, por sua vez, permite uma análise mais fina do financiamento público, privado e de pagamentos diretos pelas famílias, além de ser aplicada por países como Canadá, Portugal e Reino Unido.

Comparações internacionais

A publicação também traz comparativos com oito países: México, Colômbia, Equador, Canadá, Portugal, Reino Unido, Espanha e França.

Em 2023, o México destinou 5,1% do PIB à saúde; o Equador, 6,5%; e o Canadá, 12,4%. Os dados brasileiros são similares à média latino-americana, mas ainda abaixo dos países da OCDE.

No caso do México, o relatório destaca o detalhamento da conta de saúde por tipo de serviço e a mensuração do trabalho não remunerado na área.

Já na Colômbia, em 2023, 42,8% da receita do setor de saúde veio de regimes contributivos, enquanto 35,8% foi subsidiada pelo Estado.

A publicação completa está disponível no site do IBGE.

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