sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Nove gerações seriam necessárias para um brasileiro pobre atingir a classe média, aponta estudo

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Relatório sobre mobilidade social no Brasil destaca que brasileiros de baixa renda enfrentam desafios extremos para ascender à classe média.

A mobilidade social no Brasil ainda enfrenta obstáculos que dificultam a ascensão econômica da população de baixa renda. Segundo a Tese de Impacto pela Mobilidade Social, elaborada pela Fundação Grupo Volkswagen e pela Artemisia – organização pioneira no apoio a negócios de impacto no Brasil –, o país ocupa a 60ª posição entre 82 nações avaliadas pelo Fórum Econômico Mundial. O relatório indica que um brasileiro de baixa renda levaria, em média, nove gerações para alcançar a classe média, um dos piores índices globais. A pesquisa mostra que fatores como desigualdade de renda, falta de acesso à educação de qualidade e informalidade no mercado de trabalho limitam a mudança de classe social.

A pesquisa aponta que apenas 10,4% dos filhos de pais com ensino médio incompleto conseguem concluir o ensino superior, reduzindo suas chances de inserção em empregos formais e bem remunerados. Além disso, mais de 90% dos jovens que deixam os estudos antes de concluir o ensino médio são negros, o que evidencia o impacto das desigualdades estruturais na trajetória econômica da população.

A educação é um dos principais caminhos para a mobilidade social, mas, conforme o estudo, não garante, por si só, a ascensão econômica. Muitos estudantes de baixa renda que conseguem concluir os estudos enfrentam dificuldades para acessar o ensino superior e o mercado de trabalho, o que reduz as oportunidades de crescimento profissional. A pesquisa também destaca que a elevada informalidade no Brasil impede que trabalhadores tenham estabilidade financeira e acesso a benefícios, o que prejudica a capacidade de construir um patrimônio ao longo da vida.

O empreendedorismo aparece como uma alternativa para gerar renda, mas a falta de acesso a crédito e capacitação impede o crescimento de pequenos negócios, tornando essa alternativa limitada. A concentração de renda nas grandes cidades e a desigualdade entre as regiões do país também são apontadas como fatores que dificultam a ascensão social, tornando a mobilidade ainda mais restrita em alguns estados.

Mobilidade social no Amazonas

No Amazonas, a situação da mobilidade social acompanha a realidade nacional, mas com dificuldades ampliadas pelo contexto socioeconômico do estado. De acordo com a Síntese de Indicadores Sociais de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55,1% da população do estado vive na pobreza, enquanto 10,5% enfrenta extrema pobreza. Isso representa aproximadamente 2,2 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica. O estado também possui uma das maiores desigualdades de renda do país, com um Índice de Gini de 0,568, evidenciando a forte concentração de riqueza em poucas camadas da população.

A educação acompanha essa tendência. O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2024 aponta que a dimensão Oportunidades, que avalia o acesso à educação superior, inclusão social e liberdades individuais, teve uma das piores pontuações no Amazonas, com uma média de 44,83 em uma escala de 0 a 100. A evasão escolar no ensino médio continua alta, e a oferta de ensino técnico e superior ainda não atende à demanda da população. O programa Pé-de-Meia, que beneficia 133,3 mil estudantes no estado, busca reduzir esse problema ao oferecer incentivos financeiros para alunos do ensino médio que mantêm frequência escolar e avançam de ano, mas a transição para o mercado de trabalho continua sendo um desafio.

O setor produtivo no Amazonas também apresenta obstáculos. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita do estado é 30,1% inferior ao do restante do Brasil, o que indica menor geração de riqueza por habitante. Além disso, a economia amazonense está fortemente concentrada em Manaus, que responde por 78,5% do PIB estadual, enquanto outras regiões enfrentam maior vulnerabilidade econômica. A informalidade no trabalho continua alta, reduzindo o acesso da população a direitos previdenciários e dificultando a estabilidade financeira.

O empreendedorismo, que poderia ser uma alternativa para melhorar a mobilidade social, também enfrenta limitações no Amazonas. Pequenos negócios encontram dificuldades para obter crédito e formalizar suas atividades, o que impede o crescimento sustentável dessas iniciativas. O relatório aponta que políticas de microcrédito e programas de capacitação poderiam melhorar esse cenário, tornando o empreendedorismo uma opção mais viável para a população de baixa renda.

O que é preciso fazer?

Mesmo com esses desafios, o relatório sugere estratégias que podem contribuir para um cenário mais favorável à mobilidade social. Investimentos em educação básica e superior, ampliação de programas de qualificação profissional e facilitação do acesso ao crédito são algumas das medidas que poderiam impulsionar o crescimento econômico e social. No Amazonas, o desenvolvimento econômico fora da capital e melhorias na mobilidade urbana poderiam reduzir barreiras e aumentar as oportunidades para a população.

A Tese de Impacto pela Mobilidade Social foi conduzida a partir de uma análise abrangente que envolveu a coleta de dados de mais de 60 fontes, incluindo o IBGE, PNUD, OCDE, Banco Mundial, IMDS (Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social), Oxfam e FGV. O estudo também contou com a análise de indicadores socioeconômicos de 82 países, permitindo uma comparação detalhada da mobilidade social no Brasil em relação a outras nações.

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