sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Norte tem a segunda maior concentração de quilombolas vivendo em áreas rurais, aponta IBGE

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Pessoa adulta e criança vestidas com roupas tradicionais de matriz africana durante atividade cultural noturna.
Participantes de comunidades tradicionais de matriz africana participam de atividade do encontro promovido pelo Iphan no Amazonas

O Censo 2022, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), trouxe à tona dados sobre a população quilombola no Brasil, destacando não apenas o número de habitantes, mas também as condições de vida e a localização geográfica dessa população.

O levantamento apontou que a maior parte dos quilombolas vive em áreas rurais, o que contrasta com a realidade da maioria da população brasileira, que reside em áreas urbanas.

Ao analisar esses dados, é possível observar diferenças marcantes entre as regiões do Brasil, com destaque para o Norte, que apresenta desafios específicos quando comparado com outras partes do país.

O Brasil conta com uma população quilombola de aproximadamente 1,3 milhão de pessoas. Destes, 61,71% vivem em áreas rurais, o que representa cerca de 820.906 indivíduos, enquanto 38,29% residem em áreas urbanas, totalizando 509.280 pessoas.

Esses números são indicativos da forte presença dos quilombolas em áreas mais afastadas dos centros urbanos, o que implica em maiores dificuldades de acesso a serviços públicos essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

Distribuição regional

Ao analisar a distribuição regional da população quilombola, o Norte apresenta uma realidade distinta, com 36,6% dos quilombolas vivendo em áreas urbanas e 63,4% em áreas rurais.

Embora esses números não sejam os mais baixos em termos absolutos, o Norte se destaca negativamente quando comparado com outras regiões do Brasil, especialmente em relação à infraestrutura e ao acesso a serviços essenciais.

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Comparação com outras regiões:

Centro-Oeste: A região Centro-Oeste tem o maior percentual de quilombolas vivendo em áreas urbanas, com 68,04%. Isso reflete uma urbanização mais avançada e melhor acesso a serviços básicos.
Por outro lado, apenas 31,96% dos quilombolas no Centro-Oeste vivem em áreas rurais, indicando uma diferença substancial em relação ao Norte.

Sudeste: No Sudeste, 47,68% dos quilombolas moram em áreas urbanas, enquanto 52,32% vivem no campo. Embora a diferença entre as áreas urbanas e rurais seja menor que no Norte, a presença de um grande número de quilombolas em áreas urbanas indica melhores condições de acesso a serviços e infraestrutura em comparação com o Norte.

Sul: Com 45,62% da população quilombola vivendo em áreas urbanas e 54,38% em áreas rurais, o Sul também apresenta uma distribuição mais equilibrada do que o Norte. A presença proeminente de quilombolas em áreas urbanas também sugere melhores condições de vida em termos de infraestrutura e acesso a serviços.

Nordeste: O Nordeste apresenta uma realidade mais próxima à do Norte, com 34,99% da população quilombola vivendo em áreas urbanas e 65,01% no campo, com grande parte da população quilombola residindo em áreas rurais e, portanto, enfrentando dificuldades consideráveis em termos de infraestrutura e serviços essenciais.

    Desigualdade no acesso a serviços essenciais

    O Censo 2022 também revelou as condições precárias enfrentadas pela população quilombola em relação a serviços básicos, especialmente nas áreas rurais.

    De acordo com os dados, 43,48% dos quilombolas em áreas rurais enfrentam precariedade no abastecimento de água, um dado alarmante que reflete a falta de infraestrutura básica no campo.

    Esse número é 1,5 vezes maior do que o percentual observado entre a população residente em áreas rurais no Brasil em geral, que é de 29,35%.

    Outro aspecto relevante é a questão do esgoto. A população quilombola rural apresenta uma situação ainda mais crítica em comparação com as demais populações rurais do país.

    A falta de acesso adequado a esgoto e saneamento básico é um problema persistente em muitas dessas comunidades, o que impacta diretamente na qualidade de vida.

    Taxa de alfabetização e analfabetismo

    A taxa de alfabetização entre os quilombolas também reflete as desigualdades regionais. Enquanto nas áreas urbanas a taxa de alfabetização é de 94,56%, nas áreas rurais ela cai para 81,84%, com uma taxa de analfabetismo de 22,71%.

    Essa discrepância é ainda mais acentuada no Norte, onde o acesso à educação formal e a qualidade das escolas nas áreas rurais são ainda mais limitados.

    A situação educacional é mais crítica no Norte do que nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que apresentam taxas de alfabetização expressivamente mais altas tanto nas áreas urbanas quanto nas rurais.

    Desafios da população quilombola no Norte

    No Norte, a situação da população quilombola é particularmente desafiadora devido à predominância de áreas rurais e à falta de infraestrutura.

    As condições de vida nos territórios quilombolas são mais precárias do que em outras regiões, com um acesso limitado à saúde, educação e saneamento.

    A precariedade no abastecimento de água e a falta de esgoto adequado são questões que afetam diretamente a saúde e o bem-estar dessa população.

    Além disso, a presença de quilombolas em áreas rurais dificulta o acesso a programas de desenvolvimento social e políticas públicas que podem melhorar a qualidade de vida.

    Embora existam iniciativas voltadas para os quilombolas, principalmente em termos de reconhecimento de territórios e cultura, o acesso a direitos básicos continua sendo uma barreira constante no Norte.

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