O chocolate segue sendo um símbolo da Páscoa para o brasileiro, mas o preço elevado dos ovos tradicionais já provoca mudanças no comportamento de consumo.
É o que revela a pesquisa “A paixão do brasileiro pelo chocolate”, realizada pela consultoria Nexus entre os dias 27 e 31 de março de 2025, com 2 mil pessoas em todas as regiões do país.
O levantamento aponta que 52% dos brasileiros pretendem comprar ovos de Páscoa este ano. Outros 34% já haviam garantido o produto até o fim de março, enquanto 18% disseram que não vão comprar.
Entre as regiões do Brasil, o Norte e Centro-Oeste lideram a troca do ovo de Páscoa por outros chocolates: 76% dos consumidores afirmaram que fariam essa substituição por causa do preço. Em seguida, aparecem o Nordeste, com 75%, o Sudeste, com 73%, e o Sul, com 71%.
A pesquisa foi feita de forma presencial, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Tradição familiar sustenta as compras, mas gasto é limitado
Entre os que vão às compras, o número médio de ovos adquiridos será de três por pessoa. Esse número sobe para quatro ovos entre famílias com filhos menores de 18 anos e nas regiões Sudeste e Sul, que lideram o consumo nacional.
Na outra ponta, Norte e Nordeste registram a média de três ovos, comportamento também observado entre quem não tem filhos.
A pesquisa mostra que o valor médio que o brasileiro está disposto a pagar por cada ovo de Páscoa é de R$ 59. Mas esse preço varia bastante de acordo com o perfil socioeconômico e a região do país.
Entre as mulheres, o gasto médio é de R$ 53, enquanto os homens aceitam pagar até R$ 66.
O menor valor está no Nordeste, onde o consumidor pretende pagar, em média, até R$ 41 por ovo de Páscoa, o menor do Brasil.
Em contrapartida, o maior valor está no Sul, onde o limite médio chega a R$ 81. Já no Norte e Centro-Oeste, esse valor sobe para R$ 58, dentro da média nacional.
Filhos são prioridade na hora de presentear
O principal público presenteado na Páscoa continua sendo os filhos e as crianças da família. O levantamento da Nexus mostra que 61% dos consumidores pretendem comprar ovos para o público infantil.
Outros 30% vão presentear irmãos, pais, avós e tios. Apenas 14% pretendem se dar de presente.
Cônjuges e namorados aparecem como destino dos ovos em 19% das respostas. Presentear amigos ou vizinhos ainda é um comportamento raro na data, aparecendo com apenas 1% das menções.
Bombons e barras conquistam espaço na Páscoa
A pesquisa também revela que, diante dos preços elevados dos ovos, os brasileiros estão cada vez mais abertos a substituir o produto por outras versões de chocolate.
Nada menos que 74% dos entrevistados afirmaram que aceitariam trocar o ovo tradicional por bombons, barras ou trufas, caso o preço estivesse muito alto.
Entre os consumidores que não pretendem comprar ovo de Páscoa, 46% afirmaram que irão adquirir outros tipos de chocolate, como bombons (55%), barras (53%), trufas (7%) e tabletes individuais (6%).
A preferência por essas alternativas é mais forte nas regiões Norte e Nordeste e entre os consumidores com renda de até um salário mínimo.
Preço é principal motivo da desistência
Para quem não pretende comprar nenhum chocolate na Páscoa, o preço também aparece como a principal barreira.
Entre os 21% dos entrevistados que não vão consumir nem ovo nem outros formatos de chocolate, 36% apontaram o valor elevado como o principal motivo.
Outras razões apontadas foram o desinteresse em comprar (17%), o costume de não dar chocolate na Páscoa (8%), o desejo de evitar o consumismo (6%), restrições alimentares ou excesso de açúcar (5%) e a busca por alternativas mais saudáveis (2%).
Consumo de chocolate vai além da tradição
Apesar da resistência dos ovos de Páscoa, a pesquisa mostra que o hábito de comprar o produto já não é unanimidade no país.
Do total de entrevistados, 43% afirmaram que não têm o costume de comprar ovos na data. Outros 37% mantêm a tradição todos os anos, enquanto 19% compram eventualmente.
Ainda assim, o chocolate segue como um dos protagonistas da Páscoa brasileira, seja em forma de ovo, bombom ou barra.
O mercado observa com atenção essa flexibilização do consumidor, que abre espaço para novos formatos e amplia as oportunidades para os fabricantes de chocolate e pequenos empreendedores.
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