quarta-feira, 23 de setembro de 2026

'Ninguém pode falar por nós', diz indígena Xipaya ao cobrar espaço na COP30 em Belém

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Indígena Katyana Xipaya. (Foto: Carlos Borges)

A liderança indígena Katyana Xipaya afirmou que a participação de comunidades tradicionais na COP30 deve ser feita por quem vive na floresta e não por terceiros.

“Ninguém pode falar por nós indígenas, mas nós podemos falar pelo planeta”, declarou durante o 12º Congresso Sustentável do CEBDS, realizado em Belém (PA).

Empreendedora e fundadora da marca de chocolate Sidjä Wahiü, Katyana Xipaya participou do painel que debateu como transformar conservação e biodiversidade em negócios sustentáveis e soluções em escala.

O evento, considerado uma prévia da COP30, reuniu representantes de comunidades, empresas e governos no Teatro Estação Gasômetro, em Belém.

Para Katyana, garantir espaço e voz para os povos indígenas na agenda climática é um passo essencial rumo a uma conferência verdadeiramente inclusiva.

“Estar nesse cenário, trazendo a nossa fala e não alguém falando por nós, é ocupar o espaço que é nosso, onde só temos a contribuir com a sociedade”, afirmou.

A COP30, que será realizada em novembro de 2025 na capital paraense, terá como um dos eixos centrais a participação de povos originários e tradicionais.

De acordo com o governo federal e com a CEO da conferência, Ana Toni, o processo de diálogo com essas populações já está em curso.

O objetivo é apresentar ao mundo uma conferência que valorize a diversidade e os saberes ancestrais como parte das soluções à crise climática.

Katyana leva essa proposta adiante por meio do Sidjä Wahiü, marca que transforma o cacau produzido por famílias indígenas Xipaya em chocolate de alta qualidade, aliando geração de renda à preservação da floresta.

O projeto inclui ainda reflorestamento, práticas agroecológicas e ações para incentivar a permanência dos jovens nas aldeias.

“Nós nos preocupamos, vivemos, respiramos e a floresta é a nossa mãe terra. Se não houver preocupação com preservação, sustentabilidade e consumo consciente, tudo que estamos construindo será em vão”, alertou.

A empreendedora ressaltou que os povos da floresta não apenas vivem a realidade da Amazônia, mas possuem conhecimentos milenares sobre preservação, essenciais para enfrentar a emergência climática.

A seu ver, a COP30 é uma oportunidade para reverter a lógica de exclusão desses saberes nos grandes fóruns de decisão.

“Essa construção depende de todos, não só de um povo. Juntos podemos construir algo duradouro para que as próximas gerações não sofram o impacto que nós ou outros causamos”, concluiu.

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