sexta-feira, 25 de setembro de 2026

MPF e Carrefour ofertarão bolsas de estudos para pessoas negra no AM

TAC foi assinado pelo Carrefour com o MPF e outras instituições após seguranças matarem cliente em Porto Alegre. Em todo o país, serão custeadas 800 bolsas de estudo.
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Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

No Amazonas, 16 bolsas de estudos e permanência para cursos de graduação e pós-graduação em instituição privada serão ofertadas para pessoas negras. As vagas estão previstas no edital do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo Grupo Carrefour com o Ministério Público Federal e outras instituições.

A medida foi tomada em decorrência da morte de João Alberto Silveira de Freitas, após ser espancado por seguranças de uma das lojas do Grupo Carrefour, em Porto Alegre. O termo de ajustamento de conduta assinado pela empresa prevê várias medidas de reparação do dano moral coletivo, entre elas a oferta de 883 bolsas em todo Brasil, a um custo de R$ 68 milhões.

No Amazonas, são sete bolsas para graduação e nove para especialização latu sensu. Os valores a serem pagos mensalmente aos estudantes são de R$ 1 mil para graduação e especialização. Confira as instituições e as vagas ofertadas clicando aqui.

Seleção dos candidatos

As instituições de ensino irão fazer diretamente a seleção dos bolsistas, conforme calendários próprios. Os candidatos devem ficar atentos às chamadas para os processos seletivos. De acordo com o TAC, as universidades devem utilizar mecanismos de heteroidentificação e aplicar, para alunos de graduação, os requisitos da Lei nº 12.711/2012.

A definição dos cursos considerou a distribuição de recursos com ênfase em localidades com alta presença de pessoas negras e baixo IDH; áreas do conhecimento em que há subrepresentação histórica de pessoas negras, como ciências biológicas, medicina, odontologia, engenharias, direito, comunicação, ciências da computação, economia, administração e arquitetura; a preferência por instituições de ensino públicas; e os critérios de pontuação dos cursos em programas de ensino nacionais.

A banca de seleção das instituições de ensino contou com a participação dos professores Sílvio Luiz de Almeida, Rosane da Silva Borges, Dennis de Oliveira e Vera Regina Rodrigues da Silva.

Cooperação

Além do MPF, o TAC firmado com Grupo Carrefour contou com o trabalho do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul (DPE-RS), a Defensoria Pública da União (DPU).

O acordo é considerado um paradigma em reparação por dano moral coletivo e de enfrentamento ao racismo histórico no Brasil, mostrando-se como um mecanismo de efetivação dos direitos humanos no país, em especial no âmbito das empresas privadas.  

Outras ações afirmativas estão previstas no TAC. Veja a íntegra do documento.

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