quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Moradores de rua: falta abrigo para acolhimento em Manaus, dizem especialistas

Especialistas estimam que Manaus tenha população de rua, pelo menos, três vezes maior que dado oficial.
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Em Manaus, ano passado, haviam 466 pessoas em situação de rua, segundo dados da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc). Mas o número pode ser muito maior.

Segundo especialistas e atuantes em atendimento à população em situação de rua, a capital amazonense possui 1.106 mil pessoas morando em praças, esquinas e viadutos.

Mesmo com diversos programas sociais tanto da prefeitura como do governo do estado, além do benefício do bolsa família do governo federal, para essa população, ainda faltam políticas públicas que realmente acolham essas pessoas.

De acordo com a doutora em serviço social e autora do livro sobre moradores de rua em Manaus, Rosiane Pinheiro, faltam políticas de moradia, abrigo ou casa de passagem para a população de rua.

“Até mesmo banho para dar mais dignidade à essas pessoas, mas a ausência de políticas de moradia são um dos graves problemas que geram e aumentam essa população”, disse.

Quem reafirma a necessidade de um abrigo, albergue para atender os moradores de rua, é a subsecretaria de políticas afirmativas para mulheres e direitos humanos, Graça Prola, que garante que de 2015 até agora, foi registrado um aumento significativo da população de rua, após a migração de venezuelanos e indígenas warao.

“Temos uma população de rua composta por homens e mulheres entre 24 a 50 anos, a maioria vive na área central. Mês passado também catalogamos 13 idosos em situação de rua nas proximidades da Manaus Moderna. 95% desses idosos recebem auxílio como bolsa família. Hoje, 100% dos idosos que moram nas ruas são consumidores de bebidas alcoólicas, assim como moradores de rua em Manaus fazem uso de entorpecentes”, explicou.

Graça Prola disse, ainda, que é preciso desmitificar que todo morador de rua é criminoso e responsáveis pela insegurança. “O que posso garantir é que eles não são os grande vilões da violência, não são responsáveis pela insegurança pública”, finalizou.

Manacapuru é o município com aumento de população de rua, segundo IPEA

De acordo com a coordenadora do programa consultório de rua em Manacapuru, Luciane Santos, atualmente existem 118 moradores de rua cadastrados no programa. Ela garantiu que a população nessa situação é bastante dinâmica, variando entre 200 a 150.

Manacapuru é o único município do interior do Amazonas com programas de acolhimentos e benefícios para população de rua, um motivo pelo qual muitos deles chegam em barcos de pesca, fazem cadastro para receber benefícios como bolsa família ou emissão de documentos e depois parte para outras cidades do estado.

“Hoje nós temos 700 moradores de rua cadastrados no escritório de rua. Oferecemos também cursos profissionalizantes, além dos benefícios, mas desse número, alguns já foram a óbito. Posso garantir que 90% dos moradores de rua em Manacapuru são usuários de substâncias entorpecentes. Alguns saem de casa por briga com a família, falta de trabalho e acabam se tornando usuários de entorpecentes nas ruas. Alguns desistem da escola e os pais expulsam de casa. A maioria são homens entre 25 a 45 anos, poucos idosos e mulheres. tínhamos duas crianças, mas já foram enviadas para abrigos”, contou.

Os números dos atendimentos em consultório na rua em Manacapuru

2020 – 947 atendimentos
2021 – 1.840 mil atendimentos
2022 – 1.755 mil atendimentos

2023 (até Junho) – 96 cadastros ativos e 631 atendimentos

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