A iniciativa da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos da Amazônia de incorporar à merenda escolar alimentos regionais e produzidos por aldeias indígenas, quilombolas e pequenos produtores arrebatou o Prêmio Innovare 2020, na categoria MP.
O anúncio foi feito pela ministra Cármen Lúcia na manhã desta terça-feira (01). O prêmio, que este ano chega na 17º edição, destaca as boas práticas da área jurídica, idealizadas por advogados, defensores, promotores, magistrados e por profissionais interessados em aprimorar a Justiça brasileira.
No Amazonas a merenda é assim
A ideia nasceu após uma visita do MPF/AM a uma aldeia Yanomami. Lá, verificou-se que a logística dificultava o escoamento da produção e a chegada da alimentação às escolas indígenas no amazonas.
“Constatamos também que estes povos possuem formas tradicionais de conservação do alimento e que os produtos, quando chegam, são industrializados e descontextualizados de sua cultura e ainda podem causar inúmeros problemas de saúde”, conta o procurador da República Fernando Merloto Soave, idealizador da prática.
Além disso, era comum, por exemplo, de acordo com relatos da própria secretaria de educação do Amazonas, o gasto com custos logísticos e operacionais superarem o valor do próprio alimento.
“Por exemplo, para transporte de R$ 1mil em farinha industrializada e proveniente de locais distantes, gastava-se R$ 5mil com o frete, havendo produção de tal alimento com qualidade nas próprias comunidades”, explica Fernando.
Em 2016 começaram as reuniões com a participação de órgãos públicos federais, estaduais, municipais, lideranças de povos indígenas e comunidades tradicionais e de organizações da sociedade civil.
Parceria
Em 2018, o projeto ganhou o apoio da Cooperação Alemã GIZ, especializada em projetos de cooperação e de desenvolvimento sustentável à escala mundial, entre outros parceiros, que lançou recentemente junto ao MAPA o Guia Prático: Alimentação escolar indígena e de comunidades tradicionais – Caso PNAE Indígena no Amazonas.
A GIZ, em parceria com outras organizações da Catrapoa, como a Funai e FNDE, realizaram, então, oficinas para capacitar os diferentes atores envolvidos na alimentação escolar indígena, nos municípios Canutama, Lábrea, Pauini, São Gabriel da Cachoeira e Tapauá.
Reportagem: Daniela Tipiti com informações da assessoria