Há tragédias silenciosas que se repetem a ponto de se tornarem parte da paisagem, mas continuam sendo tragédias.
No Brasil, uma delas ocorre diariamente dentro das escolas, onde milhões de estudantes concluem o ensino médio sem dominar o mínimo exigido em língua portuguesa e matemática.
De acordo com os dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2023 apontam que, no ensino médio, apenas 7,7% dos alunos demonstraram aprendizagem adequada nas duas disciplinas.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, menos da metade atinge o nível esperado, percentual que cai para 18% nos anos finais.
O direito à educação está sendo sistematicamente violado
A aprendizagem inferior ao mínimo esperado para cada etapa escolar precisa ser reconhecida como um problema urgente de política pública.
O projeto de lei do novo Plano Nacional de Educação (PNE), em discussão na Câmara dos Deputados, inclui maior ênfase em qualidade e equidade, mas precisa ser aprimorado para garantir foco em quem mais precisa.
Segundo o Saeb, 33% dos alunos têm desempenho abaixo do básico em língua portuguesa e 59% em matemática no ensino médio.
Isso significa que muitos concluem a educação básica sem habilidades elementares, como interpretar textos ou resolver equações, o que compromete sua inserção social, econômica e cidadã.
A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) de 2024 mostra que 73% dos jovens negros de 15 a 17 anos estão matriculados no ensino médio, ante 82% dos brancos. Entre os jovens de 14 a 29 anos que abandonaram a escola, 42% indicam a necessidade de trabalhar como principal motivo.
Os dados reforçam a urgência de políticas eficazes, voltadas à superação das desigualdades. Por isso, é fundamental que esses jovens recebam atenção prioritária, com acesso e condições reais de permanência e aprendizagem adequada.
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