Manaus está entre as oito piores capitais do Brasil no ranking nacional do saneamento básico de 2025, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.
Mesmo sendo o maior polo industrial da região Norte, a cidade enfrenta graves problemas de saneamento, com indicadores muito abaixo da média nacional. Segundo o estudo, a capital amazonense também está entre as 20 piores cidades do país nesse setor.
O levantamento avaliou os 100 municípios mais populosos do Brasil e considerou indicadores como abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, perdas na distribuição e investimentos realizados entre 2019 e 2023.
Em Manaus, apenas 28,46% da população tem acesso à rede de esgoto. Apesar de um avanço frente aos 19,90% registrados em 2019, o aumento de pouco mais de 8 pontos percentuais em cinco anos é considerado insuficiente.
Entre as capitais, apenas cinco conseguem tratar ao menos 80% do esgoto gerado — e Manaus está longe dessa meta.
O índice de perdas na distribuição de água, embora tenha melhorado, ainda é alarmante: 47,49% da água potável tratada se perde antes de chegar às casas da população. Em 2019, esse índice era ainda pior, de 72%.
Mesmo com os desafios, o relatório aponta que Manaus conseguiu reduzir suas perdas na distribuição em 34% nos últimos cinco anos.
O estudo também destaca o baixo nível de investimento. Em média, as 20 piores cidades brasileiras — grupo no qual Manaus está inserida — investiram apenas R$ 78,40 por habitante/ano em saneamento básico entre 2019 e 2023.
Esse valor representa 65% abaixo do necessário para alcançar a universalização dos serviços, estimada em R$ 223,82 por habitante/ano.
Das 27 capitais, a cidade amazonense se destaca negativamente, acompanhada por outras cidades da região Norte, como Porto Velho (RO), Macapá (AP) e Rio Branco (AC), todas com índices muito baixos.
A situação da capital amazonense reflete um cenário regional preocupante. O levantamento reforça que os municípios do Norte e do Nordeste concentram as piores posições no ranking nacional do saneamento, enquanto os melhores resultados estão nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Para o Instituto Trata Brasil, o saneamento deve ser tratado como política pública prioritária, sobretudo nas cidades que permanecem com indicadores críticos.
Segundo o estudo, o atraso no acesso à água potável e à coleta de esgoto impacta diretamente a saúde pública, o desenvolvimento econômico e a qualidade de vida da população.
No entanto, especialistas destacam que, sem aumento significativo nos investimentos e melhorias na gestão, Manaus terá dificuldades para cumprir as metas de universalização previstas no Novo Marco Legal do Saneamento, que estabelece o prazo de 2033 para que todas as cidades brasileiras tenham acesso universal ao serviço.
Configura o estudo da Trata Brasil na íntegra:
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