Hoje, 24 de outubro de 2024, Manaus completa 355 anos, e como sempre, o rio Negro continua a abraçar a cidade, como se ambos fossem inseparáveis, mas de uma maneira diferente.
Estamos em tempos de seca, e o rio, que costuma se espalhar com força, agora revela margens que há muito não víamos.
Mesmo com o nível mais baixo, o rio continua a ser a veia que mantém a cidade pulsante. A seca não diminui Manaus, mas a transforma.
A paisagem muda, os barqueiros ajustam suas rotas, e praias de areia fina surgem onde antes havia apenas água. A cidade, que se molda ao ritmo das águas, encontra um novo compasso em tempos de estiagem.
Para muitos, a seca traz um certo estranhamento. As águas, que sempre ditaram a vida em Manaus, parecem descansar.
Mas a cidade, que nasceu e cresceu às margens desse rio, também sabe viver os momentos em que ele se recolhe. Mesmo com o nível mais baixo, o rio continua a ser a veia que mantém Manaus pulsante.
A seca não diminui Manaus, mas a transforma. Assim como sempre foi: uma cidade de resistência, que se adapta às forças da natureza.
Quando penso em Manaus, não consigo deixar de recordar os dias em que a cidade foi chamada de “Paris dos Trópicos”.
Não, não foi um exagero. No final do século XIX, enquanto o resto do mundo conhecia a Amazônia como um lugar remoto, Manaus era um símbolo de riqueza e modernidade.
No final do século XIX, enquanto o resto do mundo conhecia a Amazônia como um lugar remoto, Manaus era um símbolo de riqueza e modernidade.
Foi nesse período que Eduardo Ribeiro, governador visionário, deixou sua marca indelével na cidade.
Ao traçar as grandes avenidas e planejar a infraestrutura urbana, Ribeiro não estava apenas construindo uma cidade, ele estava desenhando o futuro.
Graças a ele, Manaus ganhou ruas largas e arborizadas, um sistema de saneamento moderno para a época, e, claro, o monumental Teatro Amazonas, um símbolo de que a Amazônia também era capaz de abrigar sofisticação e cultura de primeiro mundo.
Mas ele não estava sozinho na transformação da cidade.
Arthur Cezar Ferreira Reis, outro ex-governador do Amazonas, um dos mais respeitados historiadores amazonenses, contou essas histórias como quem guarda um segredo, revelando o contraste entre o luxo importado e a realidade da floresta.
Robério Braga, historiador e ex-secretário de Cultura, fala disso de uma forma quase saudosa. Ele lembra que o Teatro Amazonas, com sua cúpula reluzente e seus mármores italianos, continua a ser um ícone que nos lembra do esplendor de outros tempos.
Ao mesmo tempo, o Palácio Rio Negro permanece de pé, como uma testemunha silenciosa de todas as eras pelas quais Manaus passou. Mas o que Robério nos ensina é que a cidade é muito mais que seus monumentos — é um lugar onde tradições culturais persistem, resistindo às mudanças.
E como esquecer a poesia? Aníbal Beça dizia que Manaus era um “poema imortal”, encravado na fronteira entre o tempo e as águas. Ele tinha razão.
Em suas palavras, capturou a cidade como poucos: uma cidade de resistências, de lutas silenciosas, mas também de uma beleza que só se revela aos que realmente a vivem.
Já Roberto Evangelista, em seus haicais e performances, mostrou Manaus com outro olhar: um lugar onde o folclore e as histórias ribeirinhas se entrelaçam com o progresso, onde o passado nunca se distancia.
E aí vem Thiago de Mello, o poeta que foi voz ativa da floresta, mas que também via Manaus como parte inseparável dela. Para ele, Manaus era a personificação da resistência, não só da floresta, mas do povo que aqui vive.
Ele dizia que a cidade “não se curva ao tempo”. Ela persiste, assim como a natureza que a cerca.
Samuel Benchimol, com sua visão mais econômica e antropológica, enxergava Manaus como um centro vital de comércio e integração regional. Ele analisava as dinâmicas urbanas que surgiram a partir da criação da Zona Franca de Manaus, enfatizando como a cidade soube se adaptar às mudanças e ao desenvolvimento.
Nas artes, Manaus sempre foi cantada com afeto. Chico da Silva, em sua canção “Cidade Morena”, capturou a essência da cidade com suas margens tranquilas e os barcos que deslizam silenciosos pelo rio.
A letra soa como um sussurro, como se a cidade estivesse sempre em conversa com suas águas. A cantora Lucinha Cabral, em suas performances, invoca a cidade com orgulho, celebrando tanto a natureza quanto a resistência de seu povo.
Manaus é também vista pelos olhos de seus artistas plásticos, como Moacir Andrade, que pintou o cotidiano manauara com traços que exaltam a luz e as cores da Amazônia.
Embora sua obra fosse diversa e repleta de nuances, ele se destacou especialmente por retratar a cultura e a natureza amazônica de forma profunda e representativa, incluindo a cidade de Manaus, que foi uma constante em suas inspirações.
Já Haneman Bacellar guiou seu olhar para o cotidiano de Manaus, e buscou o que há de mais profundo por trás da figura humana: os costumes de gente singela que padece suas desventuras. Abordou aspectos da vida manauara, retratando cenas urbanas tanto na estrutura espacial da cidade que acolhe e abandona seus filhos, quanto pelas crenças dessas mesmas pessoas vindas do interior do Amazonas, como descreve em seu artigo, Núbia Najar.
Nas letras, Áureo Nonato foi um dos grandes cronistas de Manaus, utilizando suas palavras para capturar o cotidiano da cidade e as transformações que Manaus vivia ao longo do tempo.
Com seu olhar atento e sensível, descreveu as cenas ribeirinhas, o mercado fervilhante e a vida que girava em torno do rio Negro. Suas crônicas e escritos, ofereciam uma visão detalhada e íntima de uma cidade que se adaptava às mudanças, mas que mantinha sua essência profundamente ligada à natureza e à cultura amazônica.
Seu livro “Os Bucheiros” traça um painel da vida amazonense de Manaus da década e 20 e 30.
E o que seria de Manaus sem a música? Quem cresceu aqui conhece a melodia de “Porto de Lenha”, composta por Aldísio Filgueiras e Zeca Torres (Torrinho).
A canção fala de uma cidade de portos, de lenha, de gente trabalhadora e valente. A letra é uma crônica musical da cidade, que lembra o tempo em que a vida ribeirinha movia Manaus.
O porto, os vapores, a lenha — tudo isso era parte de um ciclo de vida que continua a ecoar nas memórias de quem nasceu aqui.
Aldísio Filgueiras, não só escreveu canções como também crônicas e poesias que capturaram a alma dessa cidade.
Como membro do Clube da Madrugada, ele testemunhou e registrou as transformações de Manaus, sempre com um olhar sensível, mas crítico, conectando o passado e o presente em suas palavras.
Nas artes, Manaus sempre foi cantada com afeto.
Chico da Silva, em sua canção “Cidade Morena“, capturou a essência da cidade com suas margens tranquilas e os barcos que deslizam silenciosos pelo rio. A letra soa como um sussurro, como se a cidade estivesse sempre em conversa com suas águas.
A cantora Lucinha Cabral, em suas performances, invoca a cidade com orgulho, celebrando tanto a natureza quanto a resistência de seu povo.
Na poesia de Thiago de Mello descreve Manaus como uma cidade “que não se dobra, mas se curva para o rio, com a humildade de quem conhece suas águas e seus mistérios”.
Essa metáfora ilustra bem a relação da cidade com seu entorno natural: uma convivência de respeito e admiração.
E se falamos de transformação, não podemos deixar de mencionar o trabalho de arquitetos que ajudaram a moldar a cidade.
Severiano Mário Porto foi um desses nomes.
Severiano, conhecido como o “arquiteto da Amazônia“, foi um mestre em criar espaços que respeitavam o ambiente natural da cidade. Ele projetou o Vivaldão, que foi demolido para dar lugar à Arena da Amazônia, mas o legado do que ele construiu permanece na história.
Claro que Manaus também foi moldada por seus líderes políticos.
Jefferson Péres falava sobre sustentabilidade muito antes de esse tema ser tão discutido. Para ele, o progresso sem cuidado com o meio ambiente seria desastroso.
Já Amazonino Mendes, sempre com seu jeito determinado, dizia que Manaus era a “alma da Amazônia”, uma cidade que conectava o mundo à floresta, mas que nunca poderia esquecer suas raízes e sempre em defesa da Zona Franca de Manaus,
Hoje, ao completar 355 anos, Manaus continua a encarar desafios.
O crescimento desordenado, a poluição dos rios, as pressões da modernidade — tudo isso coloca à prova sua capacidade de adaptação. Mas Manaus é uma cidade que aprendeu a resistir.
Assim como o rio Negro, que corre ao lado do Solimões sem nunca se misturar, Manaus encontrou um jeito de conviver com suas dualidades: entre o antigo e o novo, entre a natureza e o urbano.
Os historiadores e artistas amazonenses construíram, em suas obras, um retrato coletivo de Manaus: uma cidade que pulsa, que respira e que resiste.
Não importa quantos edifícios se ergam ou quantas indústrias movimentem sua economia, Manaus sempre será uma cidade ancorada em suas origens ribeirinhas, onde o passado ecoa no presente, como o murmúrio constante de suas águas.
E assim, no dia de seu aniversário, Manaus se mostra não apenas como uma cidade de concreto e asfalto, mas como um poema vivo, escrito nas vozes de seus artistas e nas páginas de seus historiadores. Um lugar onde cada amanhecer traz consigo a promessa de novas histórias, mas sempre com o olhar respeitoso voltado para o que já foi.
No fim, Manaus é isso: uma cidade de encontros, de histórias entrelaçadas, de gente que nunca perde o olhar para o rio e para o futuro.
Porque Manaus, apesar de tudo, segue em frente, se reinventando, sem jamais esquecer de onde veio.
Feliz aniversário, Manaus.
Texto produzido por Inteligência Artificial e checado por colaboradores humanos do RealTime1. Ajustado às 17h30 de 25/10 para corrigir referências do artista plástico Haneman Bacellar.
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