quarta-feira, 23 de setembro de 2026
EQUÍVOCOS

Mais uma pesquisa é registrada após entrevistar eleitores, o que é considerado falha grave

Presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), Duilio Novaes, foi enfático sobre o tema: “Isso não pode ser feito”.
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Pesquisas eleitorais falha grave

Mais uma pesquisa eleitoral para captar a intenção de voto para Prefeitura de Manaus foi registrada junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após os eleitores terem sido entrevistados.

É o caso da pesquisa encomendada pela Rede Diário de Comunicação à empresa do estatístico Edmilson de Araújo Silva.

A pesquisa contratada pela Rede Diário de Comunicação e que pode ser divulgada a partir da próxima segunda-feira (29) foi registrada no dia 23 de abril no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número AM-00214/2024 e entrevistou 1.200 eleitores no período de 18 a 22 de abril.

Em entrevista ao RealTime1, o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa (Abep), Duilio Novaes, foi enfático.

“Isso não pode ser feito”.

Segundo ele, antes de começar a pesquisa, é necessário fazer o registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e somente após obter o número do registro é que a empresa pode iniciar a pesquisa.

Não existe a possibilidade de se pesquisar e registra depois“, reforçou o presidente da Abep.

O valor pago pelo levantamento também chama atenção: R$15 mil, muito abaixo da média do valor mínimo praticado no mercado. Considerando os 1.200 entrevistados, cada uma das 1.200 entrevistas coletadas de forma domiciliar em 61 bairros de Manaus, custou R$12,50.

Para conseguir pagar os custos de uma pesquisa, que envolve, além de pesquisadores e coordenadores, transporte e alimentação da equipe de campo, o estatístico, digitadores, designer, entre outras, o valor praticado no mercado por empresas de porte médio é de R$ 40 por entrevista.

Questionário aplicado aos eleitores apresenta falhas

O questionário da pesquisa, que é o roteiro a ser seguido pelos entrevistadores, tem texto de apresentação sobre a pesquisa e não cita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que seria o recomendado.

Observa-se um equívoco quanto à filiação partidária do pré-candidato Wilker Barreto, do Mobiliza, que aparece como sendo do Cidadania, colocando duas opções do mesmo partido à disposição do eleitor.

A situação deixa o cenário geral irreal, visto que a situação jamais aconteceria numa eleição, onde cada partido pode dispor de apenas um nome para a disputa.

Quando o questionário indica ao eleitor possíveis cenários de segundo turno, somente o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), é colocado em disputa com os outros seis nomes elencados na pesquisa, deixando de analisar outros possíveis resultados, como por exemplo, uma disputa entre Amom e Capitão Alberto Neto (PL), com Roberto Cidade (União) ou Marcelo Ramos (PT).

O questionário também não tem espaço para o bairro nem campo para incluir os contatos do entrevistado, o que impede futura verificação.

Também não inclui espaço para o nome do entrevistador e data de realização de cada uma das entrevistas realizadas.

Confira o questionário da pesquisa:

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