No dia em que o Governo do Estado libera as atividades da rede hoteleira no Amazonas, um dos melhores hotéis do Centro Histórico de Manaus fecha as portas. Ainda não houve comunicado oficial, mas o mercado já trabalha sem a presença do Go Inn Manaus, na rua Monsenhor Coutinho.
O telefone do hotel já não atende mais. No site oficial, que ainda pode ser encontrado na Internet, consta que o Go Inn está com lotação esgotada. Independente da data escolhida. Mas, segundo rumores, ele teria sido arrendado para a Petrobras alocar os funcionários oriundos da base de Porto Urucu.
Situação dramática
“A situação é dramática. Não sei quantos conseguirão se manter. Passamos a pandemia sem nada, recebendo em média cinco hóspedes por dia. Ao contrário dos outros setores, a hotelaria não tem o recurso do delivery”, comenta Roberto Bulbol, presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira, seccional do Amazonas.
Bulbol, que também é hoteleiro, lamenta as perdas. Desde o fim de março, os hóspedes pararam de chegar. Mas as faturas de água e energia continuaram chegando. “Com o hotel operando normalmente, esse valor varia de 25% a 37%, dependendo do número de hóspedes. Entretanto, esse valor não diminui quando estamos vazios”, completou.
É por isso que ele diz que não ficará surpreso se outros hotéis fecharem no decorrer do ano. “Muitos já estão diversificando para outras ramificações, operando no modelo airbnb, outros locando os quartos para fins comerciais. E tem os que vão continuar, mas operando com no máximo 20% da capacidade”, comentou.
Hóspede sumiu
O maior problema da hotelaria, no entanto, é a falta de hóspede. Com a pandemia, as pessoas têm medo de viajar. As viagens de negócios, antes constantes, foram substituídas pelas reuniões virtuais. Mas, até mesmo os turistas, que viajam por lazer, estão preferindo ficar em casa.
Isso mexe com o faturamento dos hotéis e com a economia de todo um segmento que depende dos viajantes. As operadoras de turismo passam pelo mesmo problema. Até mesmo as maiores, que antes vendiam em torno de 650 pacotes de viagens por mês, agora não passam de 30 operações mensais.
“O viajante para a região Norte tem ainda mais medo. Com as dificuldades de voos de longa distância, para vir do Rio para Manaus o passageiro corre o risco de ficar horas em uma escala, ficando mais exposto ao contágio”, lembrou.
Como salvar a rede hoteleira de Manaus? Para Roberto Bulbol só existe uma forma: descobrir a vacina contra o coronavírus. “Só assim as pessoas voltarão a ter coragem para sair de casa”, concluiu.