Estudo global do Pew Research Center revela queda na valorização da liberdade de imprensa no Brasil. Embora a maioria ainda considere a imprensa livre de censura essencial para a democracia, a proporção de brasileiros que atribuem grande importância ao tema caiu de 71% em 2015 para 62% em 2024.
Apesar do recuo, esse número segue acima da média global, que é de 61%, conforme a pesquisa realizada entre janeiro e maio deste ano, com 52,8 mil entrevistados em 35 países.
A queda na valorização da liberdade de imprensa no Brasil coincide com uma crescente preocupação com a disseminação de fake news, que para 54% dos brasileiros representa um problema “muito grande”.
De acordo com o levantamento, 62% dos brasileiros consideram uma imprensa livre de censura “muito importante”.
Embora ainda expressiva, essa porcentagem representa uma queda de 9 pontos percentuais desde 2015, quando 71% dos brasileiros atribuíam extrema importância à liberdade de imprensa.
Esse declínio, que também é observado em outros países, reflete uma mudança no entendimento coletivo sobre a proteção de direitos fundamentais, um fenômeno que não se limita ao Brasil, mas que atinge outras nações, como Quênia, Nigéria e África do Sul.
Embora o Brasil ainda esteja acima da média global de 61% (com um índice de 62% de importância atribuída à liberdade de imprensa), a tendência de queda também é um indicativo de que a sociedade brasileira, embora consciente da importância da liberdade de imprensa, tem se distanciado da visão que considera esse direito como essencial para a democracia.
Diferenças de percepção por nível de escolaridade
Um dado interessante da pesquisa do Pew Research Center é a diferença significativa na percepção sobre a importância da liberdade de imprensa entre brasileiros de diferentes níveis de escolaridade.
Entre aqueles com baixo nível de escolaridade, 53% consideram a liberdade de imprensa “muito importante”.
Já entre os mais escolarizados, esse índice sobe para 68%, refletindo uma discrepância nas percepções de cidadãos com maior acesso a informação e educação.
Liberdade e fake news
Quando o estudo aborda a percepção sobre a liberdade efetiva da imprensa no Brasil, a pesquisa revela que 40% dos brasileiros acreditam que a imprensa no país é completamente livre, enquanto 27% consideram que há algum grau de liberdade.
Por outro lado, 6% afirmam que não há liberdade de imprensa, enquanto 24% veem os veículos de comunicação como “um pouco livres”.
A pesquisa também destaca um problema crescente com as fake news no Brasil. Mais da metade dos brasileiros (54%) consideram as notícias falsas como um problema “muito grande”.
Esse aumento na percepção de desinformação reflete uma crise de confiança na mídia, um fator que certamente afeta a liberdade de expressão e a credibilidade das informações circuladas no país.
Liberdade de expressão e internet
Em relação à liberdade de expressão, a pesquisa revela uma queda considerável na percepção da sua importância no Brasil.
Em 2024, 59% dos brasileiros afirmam que consideram esse direito “muito importante”, um recuo de 9 pontos percentuais em comparação com 2015.
Ainda assim, 60% dos brasileiros acreditam que uma internet livre é “muito importante”, sendo essa percepção ligeiramente superior à da liberdade de expressão.
Quando questionados sobre a liberdade na internet, 61% dos brasileiros afirmam que a rede no país é completamente livre, uma opinião que é mais otimista do que a percepção sobre a liberdade da imprensa tradicional.
Os dados do estudo global também sugerem que a percepção de liberdade de imprensa está estreitamente ligada à satisfação com a democracia.
Em muitas nações, aqueles que têm maior preocupação com as fake news e com a censura à imprensa são, frequentemente, menos satisfeitos com o funcionamento da democracia em seu país.
No Brasil, essa insatisfação se reflete no baixo índice de confiança nas instituições democráticas, que estão, muitas vezes, associadas à liberdade de imprensa.
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