quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Liberdade de imprensa é valorizada no Brasil, mas apoio popular recua nos últimos 10 anos

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A valorização da liberdade de imprensa no Brasil caiu nos últimos anos, segundo estudo do Pew Research Center.

Estudo global do Pew Research Center revela queda na valorização da liberdade de imprensa no Brasil. Embora a maioria ainda considere a imprensa livre de censura essencial para a democracia, a proporção de brasileiros que atribuem grande importância ao tema caiu de 71% em 2015 para 62% em 2024.

Apesar do recuo, esse número segue acima da média global, que é de 61%, conforme a pesquisa realizada entre janeiro e maio deste ano, com 52,8 mil entrevistados em 35 países.

A queda na valorização da liberdade de imprensa no Brasil coincide com uma crescente preocupação com a disseminação de fake news, que para 54% dos brasileiros representa um problema “muito grande”.

De acordo com o levantamento, 62% dos brasileiros consideram uma imprensa livre de censura “muito importante”.

Embora ainda expressiva, essa porcentagem representa uma queda de 9 pontos percentuais desde 2015, quando 71% dos brasileiros atribuíam extrema importância à liberdade de imprensa.

Esse declínio, que também é observado em outros países, reflete uma mudança no entendimento coletivo sobre a proteção de direitos fundamentais, um fenômeno que não se limita ao Brasil, mas que atinge outras nações, como Quênia, Nigéria e África do Sul.

Embora o Brasil ainda esteja acima da média global de 61% (com um índice de 62% de importância atribuída à liberdade de imprensa), a tendência de queda também é um indicativo de que a sociedade brasileira, embora consciente da importância da liberdade de imprensa, tem se distanciado da visão que considera esse direito como essencial para a democracia.

Diferenças de percepção por nível de escolaridade

Um dado interessante da pesquisa do Pew Research Center é a diferença significativa na percepção sobre a importância da liberdade de imprensa entre brasileiros de diferentes níveis de escolaridade.

Entre aqueles com baixo nível de escolaridade, 53% consideram a liberdade de imprensa “muito importante”.

Já entre os mais escolarizados, esse índice sobe para 68%, refletindo uma discrepância nas percepções de cidadãos com maior acesso a informação e educação.

Liberdade e fake news

Quando o estudo aborda a percepção sobre a liberdade efetiva da imprensa no Brasil, a pesquisa revela que 40% dos brasileiros acreditam que a imprensa no país é completamente livre, enquanto 27% consideram que há algum grau de liberdade.

Por outro lado, 6% afirmam que não há liberdade de imprensa, enquanto 24% veem os veículos de comunicação como “um pouco livres”.

A pesquisa também destaca um problema crescente com as fake news no Brasil. Mais da metade dos brasileiros (54%) consideram as notícias falsas como um problema “muito grande”.

Esse aumento na percepção de desinformação reflete uma crise de confiança na mídia, um fator que certamente afeta a liberdade de expressão e a credibilidade das informações circuladas no país.

Liberdade de expressão e internet

Em relação à liberdade de expressão, a pesquisa revela uma queda considerável na percepção da sua importância no Brasil.

Em 2024, 59% dos brasileiros afirmam que consideram esse direito “muito importante”, um recuo de 9 pontos percentuais em comparação com 2015.

Ainda assim, 60% dos brasileiros acreditam que uma internet livre é “muito importante”, sendo essa percepção ligeiramente superior à da liberdade de expressão.

Quando questionados sobre a liberdade na internet, 61% dos brasileiros afirmam que a rede no país é completamente livre, uma opinião que é mais otimista do que a percepção sobre a liberdade da imprensa tradicional.

Os dados do estudo global também sugerem que a percepção de liberdade de imprensa está estreitamente ligada à satisfação com a democracia.

Em muitas nações, aqueles que têm maior preocupação com as fake news e com a censura à imprensa são, frequentemente, menos satisfeitos com o funcionamento da democracia em seu país.

No Brasil, essa insatisfação se reflete no baixo índice de confiança nas instituições democráticas, que estão, muitas vezes, associadas à liberdade de imprensa.

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