quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Leão XIV: Norte-americano Robert Prevost é eleito novo Papa

COMPARTILHE
Papa Robert Prevost, o primeiro pontífice norte-americano. (Foto: Reprodução)

Após o conclave realizado nesta quinta-feira, 8 de maio de 2025, o cardeal Robert Prevost, arcebispo de Chicago, foi escolhido o 267º papa da Igreja Católica. Com essa eleição histórica, Prevost se tornou o primeiro pontífice norte-americano, assumindo o posto após a morte do papa Francisco, ocorrida em 21 de abril de 2025.

Aos 69 anos, Prevost vai adotar o nome de Leão XIV. O nome dele foi anunciado na sacada da Basílica de São Pedro, no Vaticano, pouco mais de uma hora após a fumaça branca indicar que os cardeais presentes ao Conclave haviam chegado a um consenso.

Mais de 20 mil pessoas estavam presentes na Praça de São Pedro para acompanhar o anúncio da eleição do novo Papa.

Após a divulgação, o pontífice se dirigiu aos fiéis e proferiu a tradicional bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), transmitindo uma mensagem de paz e esperança.

Trajetória do cardeal Robert Prevost

Nascido em 6 de novembro de 1955, em Chicago, Estados Unidos, Robert Prevost ingressou na Ordem Agostiniana em 1976 e foi ordenado sacerdote em 1981.

Formado em Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, o novo papa desenvolveu uma sólida carreira acadêmica, seguida por uma extensa trajetória pastoral.

Em sua atuação, teve passagens como vigário em várias dioceses dos Estados Unidos e, em 2015, foi nomeado arcebispo de Chicago, uma das dioceses mais influentes da Igreja Católica nos Estados Unidos.

Prevost foi criado cardeal pelo papa Francisco em 2021, sendo o primeiro cardeal dos Estados Unidos com esse destaque.

Sua nomeação reflete o papel de liderança que desempenhou dentro da Igreja, sendo reconhecido por sua dedicação à doutrina da fé, ao ecumenismo e à busca por uma Igreja mais inclusiva.

Compromissos pastorais e posicionamento

Ao longo de sua trajetória eclesiástica, o cardeal Prevost se destacou pelo seu compromisso com o ecumenismo, o diálogo inter-religioso e a promoção da justiça social.

Ele atuou como presidente da Comissão de Doutrina da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e foi membro da Congregação para a Doutrina da Fé, onde desempenhou um papel importante na consolidação dos ensinamentos da Igreja.

Além disso, Prevost é um defensor ativo da integração das comunidades cristãs, promovendo um diálogo constante com outras religiões e com os diferentes grupos sociais, especialmente com aqueles marginalizados.

Sua postura pastoral é marcada pela ênfase na caridade, no acolhimento e na promoção dos valores cristãos em um mundo cada vez mais plural e desafiador.

Expectativas para o pontificado

A eleição de Prevost representa uma mudança histórica não apenas para a Igreja Católica, mas também para a sociedade global.

Como o primeiro papa norte-americano, espera-se que ele tenha um papel de liderança forte nas questões globais que afetam a Igreja, como a justiça social, a preservação ambiental e a busca pela paz entre as nações.

Sua experiência no diálogo ecumênico e inter-religioso também traz à tona a possibilidade de um pontificado mais voltado para a promoção da unidade entre as diferentes religiões, focando em soluções colaborativas para os desafios do mundo moderno.

Prevost assume o pontificado em um momento delicado para a Igreja Católica, com questões internas e externas que exigem liderança e sensibilidade.

Sua postura equilibrada e diplomática será essencial para enfrentar as crises sociais e as pressões que a Igreja enfrenta globalmente, especialmente em relação à sua relevância nas questões contemporâneas.

Primeira bênção do Papa Leão XIV

Leia, na íntegra, a primeira bênção “Urbi et Orbi” do novo Papa Leão XIV, proferida na Praça de São Pedro, e acompanhe os principais pontos deste momento inaugural do pontificado.

“Que a paz esteja convosco. Irmãos, irmãs caríssimos, esta é a primeira saudação do Cristo ressuscitado, o bom pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação, de paz, entrasse no vosso coração, alcançasse vossas famílias, a todas as pessoas. Onde quer que estejam, a todos os povos, a toda a terra, a paz esteja convosco.

Esta é a paz de Cristo ressuscitado, uma paz desarmada, uma paz desarmadora, humilde e perseverante, que provém de Deus. Deus que nos ama a todos, incondicionalmente. Ainda conservamos em nossos ouvidos aquela voz frágil, mas sempre corajosa do papa Francisco, que abençoava Roma.

O papa que abençoava Roma, dava a sua bênção ao mundo inteiro naquela manhã do dia de Páscoa. Permitam-me dar sequência àquela mesma bênção: Deus nos quer bem, Deus nos ama a todos. O mal não prevalecerá. Estamos todos nas mãos de Deus.

Portanto, sem medo, unidos, mão na mão com Deus e entre nós, sigamos adiante. Somos discípulos de Cristo. Cristo nos precede. O mundo precisa da sua luz. A humanidade necessita de pontes para que sejam alcançadas por Deus e ao mundo.

Ajudai-nos também vós, unam-se aos outros, a construir pontes, com o diálogo, com o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo, sempre, em paz. Obrigado, papa Francisco.

Gostaria de agradecer a todos os irmãos cardeais que me escolheram para ser sucessor de Pedro, e caminharei junto a vós, como Igreja unida, buscando sempre a paz, a justiça, buscando sempre trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo. Sem medo, para proclamar o Evangelho. Para sermos missionários.

Sou um filho de Santo Agostinho, agostiniano, que disse: “Convosco sois cristão, e para vós bispo”. Nesse sentido, podemos todos caminhar juntos rumo a essa pátria, à qual Deus nos preparou.

À Igreja de Roma, uma saudação especial. Devemos buscar juntos como ser igreja missionária, uma igreja que constrói pontes, que dialoga, sempre aberta a receber como esta praça de braços abertos, a todos, todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, do diálogo, de amor.

E se me permitem também uma palavra: [em espanhol] a todos aqueles, de modo particular, à minha querida diocese de Chiclayo no Peru, onde um povo fiel acompanhou o seu bispo, compartilhou a sua fé e deu tanto a mim para seguir sendo igreja fiel de Jesus Cristo.

A todos vós irmãos e irmãs, de Roma, da Itália e do mundo inteiro, queremos ser uma igreja sinodal, uma igreja que caminha, que busca sempre a paz, que busca sempre a caridade e busca sempre estar próxima, especialmente daqueles que sofrem.

O dia da súplica à Nossa Senhora de Pompeia, nossa mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima, ajudar-nos com a sua interseção e seu amor. Agora gostaria de rezar junto convosco, rezemos juntos por essa nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo. Peçamos essa graça especial à Maria, nossa mãe.”

Leia mais:

COMPARTILHE