No Dia Nacional da Parteira, 20 de janeiro, a Fiocruz Amazônia e o Instituto Mamirauá entregaram 850 lanternas solares às parteiras tradicionais do Amazonas.
Os equipamentos foram doados por uma multinacional francesa e são essenciais para atender partos em comunidades sem acesso à energia elétrica.
As lanternas foram entregues à Associação das Parteiras Tradicionais do Amazonas Algodão Roxo (APTAM) em um evento na sede da Fiocruz Amazônia, em Adrianópolis. A ação contou com a presença de representantes do Instituto Mamirauá e das parteiras beneficiadas.
O pesquisador Júlio César Schweickardt, da Fiocruz Amazônia, destacou o papel crucial das parteiras no cuidado às mulheres e na saúde comunitária. Ele é coordenador do projeto “Redes Vivas e Práticas Populares de Saúde”, que busca fortalecer a Rede de Atenção à Saúde da Mulher no Amazonas.
Os equipamentos substituem velas, lamparinas e lanternas usadas em partos em áreas remotas do estado. Além de oferecer maior segurança e eficiência, a iniciativa simboliza o reconhecimento do trabalho das parteiras, essenciais em regiões onde o acesso à saúde é limitado.
Reconhecimento
A Lei Estadual nº 5.312 do Amazonas autoriza a presença de parteiras durante todo o período de trabalho de parto e pós-parto imediato, sempre que solicitadas pela parturiente, em maternidades, casas de parto e estabelecimentos hospitalares da rede pública e privada do estado.
Essa legislação reflete o reconhecimento e a valorização do trabalho das parteiras tradicionais pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2011, com o lançamento da Rede Cegonha, o Ministério da Saúde incluiu as parteiras tradicionais como elementos fundamentais na promoção da saúde comunitária.
No Amazonas, de acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), existem aproximadamente 1.400 parteiras cadastradas pelo governo estadual.
No entanto, esse número pode ser maior, considerando a presença de parteiras que atuam em áreas remotas e de difícil acesso, muitas vezes sem registro oficial.
Essas profissionais desempenham um papel crucial na assistência ao parto, especialmente em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, onde o acesso aos serviços de saúde é limitado.
*Com informações da Fiocruz Amazônia
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