O Instagram, que era sinônimo de feeds perfeitos e fotos cuidadosamente curadas, passou a ser palco para a criação de múltiplos perfis entre os usuários da geração Z (nascidos entre 1997 e 2010).
Essa mudança é marcada pela criação de contas paralelas, como os perfis Dix e Daily, onde os jovens exploram facetas mais autênticas e menos filtradas de suas vidas.
Criado para garantir maior privacidade, o Dix permite que o usuário compartilhe conteúdos mais íntimos, como desabafos, festas e memes, sem o julgamento de familiares ou colegas.
O perfil, geralmente restrito a amigos próximos, funciona como um refúgio onde a espontaneidade não é cerceada.
Já o Daily, uma espécie de diário público, é mais aberto e focado em interesses compartilhados, como espiritualidade, hobbies ou reflexões pessoais.
Embora não seja totalmente privado, o Daily oferece um espaço descontraído onde os jovens podem conectar-se com outras pessoas que compartilham seus interesses, mas sem a pressão estética do perfil principal.
O especialista em ciberpsicologia, Angelica Mari, observa que o Dix preenche uma lacuna importante: ele oferece um espaço onde os jovens podem se expressar sem a vigilância de pais ou empregadores.
“Não é sobre falsidade, mas sobre uma autenticidade contextual”, explica Mari, destacando que o perfil principal muitas vezes funciona como uma máscara social.
Por outro lado, o Daily segue uma lógica mais pública e busca a criação de comunidades em torno de interesses comuns.
Para Maria Paula Carmona, estudante de publicidade, seu perfil Daily é onde compartilha dicas de skincare e suas reflexões sobre espiritualidade, criando um espaço onde se sente à vontade para interagir com pessoas que compartilham as mesmas paixões.
Os riscos e benefícios da identidade fragmentada
Embora esses perfis alternativos ofereçam liberdade de expressão, especialistas alertam para os riscos psicológicos associados à gestão de múltiplas identidades digitais.
A carga mental de manter perfis distintos pode gerar ansiedade e a necessidade de garantir coerência entre os diferentes “eus” digitais.
Além disso, a falta de fronteiras claras pode gerar desconforto. Giovanna, estudante de medicina, compartilhou sua experiência de pânico quando um familiar descobriu seu perfil Dix.
Isso evidencia o dilema enfrentado por muitos jovens, que buscam espaço para serem autênticos, mas ao mesmo tempo precisam lidar com as consequências da exposição.
Para Angelica Mari, esse fenômeno não é apenas uma moda, mas uma evolução na forma de gerenciar a identidade online.
“Estamos vendo uma adaptação dos jovens às expectativas digitais, mantendo diferentes aspectos de suas personalidades em contextos separados”, afirma.
A multiplicação de perfis, como Dix, Daily e Close Friends, indica um movimento de sofisticação nas redes sociais, onde a autenticidade se alia à privacidade de forma mais fluida e complexa, manifestando a busca por um espaço online mais real, sem as pressões impostas por seguidores e pela necessidade de manter uma imagem perfeita.
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