A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, avalia que o mundo já não está mais vivendo as “regularidades climáticas com as quais nós convivíamos” por causa das mudanças no clima impulsionadas pelas atividades humanas que, entre outras coisas, aumentaram os níveis de gases causadores do efeito estufa.
“Esse diagnóstico foi feito há mais de 30 anos e era dito e redito que esse momento chegaria. Infelizmente, ele chegou”, disse Marina Silva, durante entrevista coletiva nesta sexta-feira (13) para falar sobre as medidas relacionadas à crise da estiagem no Amazonas.
“É um cenário bastante preocupante e que, portanto, vai exigir do poder público e da sociedade, de um modo geral, uma ação de consciência ao que está acontecendo no mundo”, alertou.
No Amazonas, além da forte estiagem com vazante extrema dos rios, nuvens de fumaça de queimadas tem invadido grandes áreas urbanas como a capital Manaus e outras cidades.
‘Apagar sim! Mas, a lógica tem que ser evitar o fogo’
Mais que remediar, com atendimento dos efeitos, quando o estrago já está feito, é preciso atuar com prevenção, avalia a ministra.
“Tem duas atitudes. Uma é: as pessoas estão com falta de ar por causa da fumaça, então aciona-se cada vez mais atendimento de saúde para as pessoas que estão com problemas respiratórios. Temos inúmeros focos de incêndio espalhados pelo País, particularmente nas regiões mais sensíveis, como é o caso da Amazônia. Então, a gente vai contratando um exército de brigadistas para ficar apagando fogo”, disse.
“Essa é a atitude de quem não quer dialogar com o problema, porque é como se ficássemos julgando o gelo. A atitude correta é atacar as causas, por isso que desde o começo nossa abordagem é enfrentar desmatamento”, acrescentou.
“A segunda abordagem é mudar o modelo de desenvolvimento, porque as pessoas precisam continuar trabalhando, se alimentando e vivendo. Por isso o plano de transformação ecológica, por isso os investimentos em bioeconomia, por isso os investimentos em agricultura regenerativa, por isso o plano safra já como a base de transição para a agricultura de bares de carbono”, destacou Marina.
“Porque se a lógica for: tá pegando fogo no Estado do Amazonas, então vamos contratar milhares e milhares de brigadistas para apagar fogo… A lógica tem que ser evitar o fogo”, ressaltou.
“Se temos pessoas adoecendo, a lógica é atender na emergência, no socorro, mas trabalhar as causas, evitar que as pessoas adoeçam em função da grande quantidade de poluição atmosférica que nós temos. Está dez vezes acima do que recomenda a Organização Mundial de Saúde. Então o nosso trabalho como governo, como cidadãos, nas mais diferentes esferas, é total solidariedade com a população, fazendo aquilo que o povo quer na hora da emergência, mas também fazendo quando não está na hora da emergência”, concluiu.
Brasil flertou com o ‘apocalipse’ ambiental
Durante a entrevista, a ministra destacou a redução do desmatamento na Amazônia alcançado durante o primeiro ano do terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, após uma sequência de altas na gestão de Jair Bolsonaro.
“A redução do desmatamento, no volume que nós conseguimos, já de quase 50%, se nós formos computar a quantidade de focos de incêndio que teríamos se tivesse mantido o mesmo padrão do ano passado, nós estaríamos vivendo um verdadeiro apocalipse aqui no Brasil”, disse.
“Por quê? Porque nós estamos vivendo uma situação atípica, mesmo com o El Niño, mesmo com o aquecimento do Atlântico Norte, uma pequena redução de 14% em relação ao ano passado em que esse fenômeno não estava acontecendo. Mas, como disse o presidente Rodrigo Agostinho (do Ibama), a gente não quer minimizar o problema, nós queremos enfrentar o problema pela raiz. Nós não queremos dizer ‘ah, isso é de responsabilidade do governo ou do governo federal, isso é de responsabilidade do Estado’. Nós estamos agindo suplementarmente também naqueles estados em que há maior dificuldade em fazer esse enfrentamento”, disse.
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