Entre disputas para o executivo municipal e o governo do Amazonas, Amazonino Mendes (Podemos) disputou 10 eleições em 34 anos, nas quais foi eleito quatro vezes governador e duas vezes prefeito de Manaus*.
A primeira corrida eleitoral vencida pelo cacique aconteceu em 1986, logo após a reabertura política do Brasil, quando disputou, pela primeira vez, a o governo do estado.

Em 1992, após uma breve passagem pelo senado federal, venceu pela primeira vez uma eleição para prefeito da capital, cargo que abandonou apenas dois anos depois para disputar as eleições para o governo.
Eleito, Amazonino assumiu seu segundo mandato como governador do estado em 1º de janeiro de 1995.
Nas eleições de 1998 foi reeleito, encerrando o terceiro mandato no governo em 31 de dezembro de 2002.
A primeira derrota nas urnas aconteceu somente em 2004, 18 anos após a primeira eleição. Na disputa municipal, o cacique acabou sendo derrotado, no segundo turno, por Serafim Corrêa (PSB).
Esta eleição marcou o início da derrocada política de Amazonino.
Quatro derrotas em seis eleições
Entre 2004 e 2020, foram seis eleições disputadas pelo “Negão”, com um retrospecto que em nada lembra o vigor político mostrado nas décadas anteriores: quatro derrotas e apenas duas vitórias.
Em 2006, tentou a eleição pela quarta vez para o governo do Amazonas pelo PFL. Na ocasião, foi derrotado ainda no primeiro turno por Eduardo Braga (PMDB), que foi reeleito governador com 50,63%.
Na eleição municipal de 2008, Amazonino deu o troco e venceu Serafim Corrêa quatro anos depois de perder a prefeitura para o opositor, assumindo assim seu terceiro e último mandato frente à prefeitura de Manaus.

Quatro anos depois, no entanto, mesmo podendo disputar à reeleição, devido aos baixos índices de aprovação da gestão ele não se candidatou
Depois de cinco de “aposentadoria”, Amazonino ressurge na cena política local em 2017 para disputar eleição suplementar para governador do Amazonas.
Finalmente eleito, cumpriu mandato tampão de pouco mais de um ano, ficando no cargo até final de 2018.
Naquele mesmo ano, o então governador tentou a reeleição, mas acabou perdendo novamente, dessa vez para o então estreante Wilson Lima (PSC).
Ao deixar o cargo, chegou a afirmar que não disputaria mais nenhum cargo eletivo, mas sem deixar de lado sua veia política.
“Nasci político, vou morrer político”, declarou.
Última eleição?
Na eleição deste ano, quebrou a promessa feita menos de dois anos antes e tentou se eleger para o quarto mandato como prefeito de Manaus.
Aos 81 anos, a idade e a saúde de Amazonino foram fatores amplamente explorados pelos adversários contra ele.
Ao votar na manhã deste domingo (29), Amazonino disse que esperava a vitória e, mais uma vez, prometeu que está será a última eleição que disputa.
“Eu não sou Matusalém, tenho meus limites sei até onde posso ir. Eu espero a vitória! Para mim será a vitória do povo”, afirmou.
Mas, para os eleitores manauaras, este limite já chegou.
Apesar de garantir, durante toda a campanha, que estaria em plenas condições físicas e mentais para conduzir outros quatro anos de mandato, o recado das urnas foi mais do que eloquente.
Depois de vencer no primeiro turno, com 24,31% dos votos válidos, acabou sendo derrotado no segundo turno pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e ex-governador interino David Almeida (Avante).
Com pouco mais de 51% dos votos válidos, David foi eleito para o seu primeiro mandato como prefeito de Manaus.
Confira o retrospecto de Amazonino em eleições municipais e estaduais:
1986 – Eleito (Governo do Amazonas)
1992 – Eleito (Prefeitura de Manaus)
1994 – Eleito (Governo do Amazonas)
1998 – Reeleito (Governo do Amazonas)
2004 – Derrotado (Prefeitura de Manaus)
2006 – Derrotado (Governo do Amazonas)
2008 – Eleito (Prefeitura de Manaus)
2012 – Apesar de ter direito, não disputou a reeleição
2017 – Eleito em eleição suplementar (Governo do Amazonas)
2018 – Derrotado (Governo do Amazonas)
2020 – Derrotado (Prefeitura de Manaus)
Reportagem: Lucas Raposo
*Amazonino assumiu seu primeiro mandato na prefeitura de Manaus entre 1983 e 1986 por indicação do então governador Gilberto Mestrinho. Neste período, por conta da Ditadura Militar, não existiam eleições diretas.
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