terça-feira, 16 de julho de 2024

faça parte da Comunidade RT1

INOVAÇÃO

Identificação de novos antibióticos é facilitada com patente

Especialistas explicam como funciona o Sistema de Expressão para Identificação de Moléculas com Atividade Antimicrobiana.
COMPARTILHE
Novos antibióticos
Bactérias têm se tornado cada vez mais resistentes aos antibióticos. (Foto: PublicDomainPictures – via Pixabay)

Novos Antibióticos. Provavelmente, você já foi medicado com algum na sua vida. Eles são muito receitados quando se tem uma infecção bacteriana mais grave ou com potencial de ficar perigosa.

Porém, o uso constante deles torna as bactérias mais resistentes, já que elas se “acostumam” com o medicamento, ou seja, toleram melhor as doses mais fracas do remédio ou ele próprio.

Regular a quantidade de novos antibióticos ingerida e receitada é fundamental, mas o desenvolvimento de novas fórmulas também.

É assim que surge a patente Sistema de Expressão para Identificação de Moléculas com Atividade Antimicrobiana. 

“Nesse contexto, desenvolvemos um método utilizando biosensores que determina a identificação simultânea de  inibição de  crescimento e o mecanismo de ação, como dano ao DNA, dano a membrana ou parede celular, assim como a inibição de síntese protéica“, explica Estela Ynés Valencia Morante, do Instituto de Ciências Biomédicas, uma das pesquisadoras da patente.

Receba notícias do RT1 em primeira mão
quero receber no Whataspp
Quero receber no Facebook
Quero receber no Instagram

Funcionamento

Ok! Mostrar a importância da patente parece fácil, mas como ela realmente funciona? Por meio da análise genômica de alguns fungos e bactérias, foram descobertos agrupamentos gênicos para a biossíntese de antibióticos — ou seja, que podem ser suscetíveis à ação combativa do antibiótico — que ampliam as possibilidades de criação de novos compostos antimicrobianos.

Entretanto, existe uma dificuldade para detectar a sua expressão genética, necessitando de métodos bem específicos.

“A tecnologia é um ensaio funcional que utiliza uma estratégia química-genética para identificar moléculas antimicrobianas por inibição do crescimento e, simultaneamente, determinar seu alvo molecular de ação como: dano ao DNA, inibição de ribossomos ou dano à membrana/parede celular.  Assim, biossensores bacterianos funcionam como uma ferramenta que fornece dados rápidos, de simples implementação e baixo custo“, completa Felipe Chambergo Alcalde, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, também pesquisador da patente.

Ele é utilizado sobretudo contra cepas de bactérias como Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Pseudomonas aeruginosa, Mycobacterium tuberculosis, entre outras.

Impactos

Desde Alexander Fleming, conhecido como o descobridor do primeiro antibiótico — a penicilina —, até os dias de hoje, com diversos medicamentos sintéticos, a indústria farmacêutica evoluiu muito.

Mas as bactérias também.

Nessa corrida armamentista, que ocorre nos mais diversos campos, como na veterinária, na agronomia e na saúde humana, é preciso ter a biotecnologia como aliada.

“Essa tecnologia permitirá reduzir o tempo de descoberta de um antibiótico ao analisar um maior número de amostras sendo naturais ou sintéticas, com aplicação na área de saúde humana, natural ou vegetal. Pretendemos miniaturizar a tecnologia para a identificação microbiana em larga escala“, pontua Ynés. Além disso, a patente está diretamente relacionada com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável “Saúde e Bem-Estar” da Organização das Nações Unidas.

Alessandra Ueno, Jornal da USP

Leia Mais:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

COMPARTILHE