quarta-feira, 30 de setembro de 2026
CULTURA

Hip Hop: dos guetos para os maiores palcos do mundo

O movimento se tornou popular entre jovens e pretos como uma forma de protesto, de identidade e de diversão.
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Dos guetos para os maiores palcos do mundo, o Hip Hop conquistou seu espaço como um movimento cultural, artístico e político no cenário da música e da dança pelo mundo todo.

No norte do país, em especial no Amazonas, o movimento invade praças da cidade ocupando espaços que antes eram esquecidos pelo poder público e pela sociedade. O movimento também tem aberto espaço para mulheres cis, trans e pessoas da comunidade LGBTQIA+.

Um exemplo dessa visibilidade para pessoas de todos os gêneros é a Batalha das Minas, na Praça Desembargador Paulo Jacob, localizada no Centro de Manaus, ao lado da avenida 7 de setembro. Idealizada por mulheres produtoras e rappers do movimento hip hop amazonense, a batalha traz temas que envolvem o preconceito, discriminação, misoginia, racismo e as altas taxas de feminicídio.

Para os participantes do Hip Hop, o movimento do rap funciona como uma rede coletiva de artistas, assim, um contribui para o trabalho do outro.

“O Hip Hip no norte ele sempre foi forte, não é à toa que vários artistas estão na Europa trabalhando com a dança. Essa é uma cultura que cresce diariamente e vários talentos vem surgindo”, disse o artista Flip.

Flip afirma que ainda existe preconceito em relação ao movimento, mas que não sente com tanto peso como antigamente.

“Preconceito, sempre vai existir, porém, não tem tanto peso como antigamente. O hip hop está em todos os lugares, na dança, na música, jornais, revistas, cinemas, tv, rádio e muito mais. Esse segmento urbano já faz parte desses espaços há muito tempo, é um movimento que atrai muita gente, hip hop não é somente comunidades e periferia. Esse paradigma já foi quebrado há muito tempo”, completou.

Já o artista Anderson Mendonça, do Nativos Crew, acredita que o movimento precisa crescer ainda mais e isso só será possível com mais eventos voltados para a cultura do hip hop, rap e break dance.

“Aqui na cidade a gente precisa aumentar mais, com eventos voltados para a cultura hip hop, break, grafite, MCs, Rapers. O Hip Hop ocupando espaços públicos, as periferias e espaços de “glamour” da cidade mostra quanto o movimento tem crescido ainda mais esse”, pontuou.

Onde surgiu?

O movimento que surgiu nas periferias do Bronx, em Nova York, Estados Unidos, no início dos anos 70, a partir de instrumentais e batidas mais fortes das canções de funk e soul, criou os conhecidos breaks, que foram a base para o surgimento do rap, do break dance e do grafite, as três principais manifestações do hip hop.

O movimento se tornou popular entre jovens e pretos que usavam o hip hop como uma forma de protesto, de identidade e de diversão. Hoje, artistas como Jay-Z, Drake, Kendrick Lamar e Nicki Minaj levam o hip hop para os grandes eventos e mídias digitais.

Hip Hop no Brasil

Já no Brasil, esse movimento chegou nos anos 1980 através de grupos de break dance que se reuniam na cidade de São Paulo. A partir das músicas americanas, os grupos criavam seus próprios passos e coreografias. Os primeiros a terem contato com o hip hop no país foram os dançarinos de break, chamados de b-boys. Nelson Triunfo foi um dos nomes mais importantes do movimento e é considerado o pai do hip hop brasileiro.

O rap também ganhou força no Brasil nesse período influenciados pelo funk, soul nacionais, além do reggae e do samba. Alguns dos pioneiros do rap brasileiro foram Thaíde e DJ Hum, Racionais MC’s, Planet Hemp, Gabriel O Pensador e MV Bill.

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