A operação Arquimedes descobriu que ao menos 61 empresas de extração e transporte de madeira atuam de forma ilegal na Amazônia.
A ação conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF) detectou que estas empresas garantem a atuação por meio de pagamento de propinas.
O jornal Folha de S. Paulo analisou uma série de documentos da operação. Eles apontavam que os investigados usavam 20 denominações diferentes para se referir ao suborno, como “melancia”, “guaraná”, “baba”, “calmante”, “benção”, “peixe” ou “pacotinho”.
A PF e o MPF constataram que houve fraudes nos sistemas de Planos de Manejo Florestal Sustentável. Este, em resumo, determina as áreas onde é permitida a extração, e mascaravam a ilegalidade.
Ipaam no jogo
As empresas também teriam alterado outros documentos. Como exemplo, os DOFs (Documentos de Origem Florestal), guias para o transporte de madeira.
As madeireiras pagavam propina a engenheiros florestais, empresários, e servidores do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
Como resultado, recebiam com mais rapidez a obtenção de licenças para o uso de áreas de manejo ou impedir fiscalizações.
O Ipaam é o órgão responsável por autorizar a extração nas áreas de manejo.
Os DOFs criavam créditos fictícios para “limpar” as origens da madeira extraída de áreas de conservação e terras indígenas.
Uma das terras impactadas, por exemplo, é Tenharim Marmelos, onde vivem os índios tenharim, no Sul do Amazonas.
A operação Arquimedes foi a que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou para dizer que divulgaria países que compram madeira ilegal do Brasil, mas a ameaça não foi cumprida.
Condenação
Nos relatórios da investigação constam imagens de um encontro do secretário de Meio Ambiente de Humaitá (AM), José dos Santos Torres Filho, com o então diretor jurídico do Ipaam, Fábio Rodrigues Marques.
No lobby de um hotel, Torres Filho entregou um pacote a Marques.
De acordo com o MPF, este pacote seria um montante de dinheiro para agilizar a concessão de licença para instalação de uma termelétrica.
Marques foi preso na 2ª fase da operação Arquimedes e denunciado pelo MPF por corrupção passiva.
O MPF apresentou 24 denúncias e já houve condenação.
O Ipaam afirmou, em nota, que os servidores envolvidos foram afastados por decisão da própria Justiça e que apoia processos de fiscalização interna.
Fonte: Poder 360