As ações para zerar filas de pacientes que esperam por cirurgias no Amazonas começam a apresentar resultados com quatro especialidades sem ninguém esperando operações na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ). “Trabalhamos para reduzir outras filas, com prioridade para as cirurgias de hérnia, vesícula e ginecológicas”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Anoar Samad.
O desafio no Amazonas é grande, pois o estado foi um dos mais impactados pela Covid-19, que provocou cancelamento de cirurgias em todo o país devido à necessidade de concentrar esforços na pandemia e, também, por conta dos riscos de contaminação dos pacientes com o vírus nesse período.
Em todo o país, houve crescimento na espera por cirurgias, o que fez o governo federal anunciar recursos extras para esse fim.
Segundo dados do Ministério da Saúde, em maio deste ano, 13,8 mil pessoas estavam na fila de espera por procedimentos cirúrgicos no Amazonas.
Até o mês de maio, 19 estados receberam recursos federais para reduzir a fila de espera por cirurgias no SUS. Entre eles, o Amazonas, que recebeu R$ 4 milhões.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), os próximos repasses vão ocorrer ao longo do ano, conforme planejamento e demanda do estado e 32,6% da fila já poderá ser atendida, o que corresponde a 4.503 procedimentos.
Filas zeradas no Adriano Jorge
Quatro especialidades tiveram as filas de cirurgias zeradas na Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ).
Não há mais pacientes aguardando por cirurgias de mão, reconstrução de ligamento, de bucomaxilo, retirada de cateter duplo, assim como houve também a redução nas filas de ortopedia e urologia.
Segundo o secretário estadual de Saúde, Anoar Samad, por meio do Complexo de Regulação, a SES vem minimizando o impacto nas filas de espera e estudando as principais demandas do Estado, filtrando as solicitações inseridas no sistema.
“A SES vem trabalhando para reduzir outras filas e tem como prioridade as cirurgias de hérnia, vesícula e ginecológicas. Vale ressaltar que essas filas são retroalimentadas diariamente através do atendimento ambulatorial”, enfatizou.
O Hospital Adriano Jorge implementou uma série de medidas para agilizar os procedimentos cirúrgicos e atender a demanda reprimida gerada durante a pandemia de Covid-19.

“A fila de pacientes que precisavam da cirurgia de reconstrução de ligamento cruzado anterior, lesão que afeta o joelho, tinha 153 pacientes aguardando desde 2017, em 2023 todas as pessoas foram atendidas. Agora, não há filas”, assegurou o secretário.
Ao todo, 800 pacientes aguardavam por cirurgias de urologia desde 2019. Atualmente esse quantitativo está em 356 usuários, uma redução de 80,9% assim como a redução no tempo de espera para realizar as cirurgias.
Também foi zerada a fila de pacientes para troca de cateter Duplo J, (usado para manter a conexão entre o rim e a bexiga em caso de doenças envolvendo o sistema urinário). Desde 2020, 182 pacientes também aguardavam uma cirurgia de mão e todos foram atendidos, não havendo fila de espera mais para essa especialidade.
Pandemia de Covid-19 aumentou espera por cirurgias

O secretário Anoar Samad ressaltou que a ocorrência de três ondas epidêmicas de Covid-19 afetou o sistema de saúde e intensificou ainda mais as filas existentes.
Ele destacou que as outras doenças não deixaram de existir durante a pandemia, resultando em um acúmulo de pacientes aguardando atendimento para condições como infarto, diabetes, hipertensão e complicações relacionadas à Covid-19.
O secretário salientou que a SES não está medindo esforços para realizar cirurgias cardíacas pediátricas e tomografias com agilidade, e que, atualmente, o Hospital Francisca Mendes recebe crianças de outros estados para realizar cirurgias, o que antes era feito em hospitais fora do Amazonas.
“Reitero o compromisso da equipe de saúde em lutar diariamente para melhorar todas as especialidades e reduzir as filas”, assegurou.
O secretário apontou uma série de problemas que dificultam o avanço do sistema de saúde, como a falta de profissionais de saúde e disputas em licitações. Ele também ressaltou os esforços realizados para superar essas dificuldades, incluindo ações para aumentar a capacidade de atendimento, reformas em unidades de saúde, como os Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic), e o aumento da quantidade de cirurgias realizadas diariamente no Hospital Delfina Aziz.
“Ainda há muito a ser feito, mas fizemos entregas históricas durante o mandato do governador Wilson Lima, como as melhorias no Hospital Delfina Aziz e a realização de transplantes renais e implantes cocleares, com um esforço contínuo para aprimorar o sistema de saúde”, declarou.
