quarta-feira, 23 de setembro de 2026
EFEITOS CLIMÁTICOS

Falta de chuvas prolongou seca de 2023 até este mês, diz pesquisador do Inpa

Seca recorde nos rios do Amazonas prevista pelos especialistas é decorrente da falta de chuvas que prolongou a estiagem do ano passado.
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A rápida descida do nível do Rio Solimões está causando grande preocupação entre os moradores de Tabatinga (Reprodução/vídeo)
A rápida descida do nível do Rio Solimões está causando grande preocupação entre os moradores de Tabatinga (Reprodução/vídeo)

A vazante recorde registrada no Amazonas no ano passado ainda persiste em 2024 e isso pode ser visto pelo quadro atual das chuvas na região amazônica e que sugerem uma seca de gravidade bem elevada para este ano. O alerta é do pesquisador e coordenador de hidrologia do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia(LBA/Inpa-MCTI), Renato Senna. 

O pesquisador afirma que a região amazônica ainda enfrenta uma deficiência de precipitação até este momento, véspera do início de uma nova vazante, que ameaça trazer graves consequências sociais para os ribeirinhos, o abastecimento dos municípios, o desempenho das empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM) e grandes desafios logísticos para empresas de transportes e as dependentes de insumos importados.

Isso (prolongamento da seca) comprometeu toda a estação chuvosa e o período de enchimento dos grandes rios, e provavelmente se estenderá até o final do primeiro semestre. Esta condição só será alterada no segundo semestre de 2024”, afirma Senna.

Nos últimos quatro anos, o nível das águas do rio Negro tem oscilado entre extremos de cheias e vazantes. Em 2021, registrou-se a maior cheia já medida, atingindo a cota máxima de 30,02 metros. Já em 2023, ocorreu a maior vazante registrada em 120 anos de medição, com o nível chegando a 12,70 metros.

De acordo com o pesquisador, dois eventos atuaram simultaneamente, evitando formação de nuvens e a precipitação na região amazônica: O aquecimento superficial do Oceano Pacífico (El Niño) inibiu a formação de nuvens e reduziu as chuvas na Amazônia e o Oceano Atlântico empurrou as nuvens que se formam sobre a Amazônia em direção ao Hemisfério Norte.

As previsões indicam que as águas do Oceano Pacífico deverão esfriar no segundo semestre de 2024, o que favorecerá a ocorrência de chuvas na Amazônia. Por outro lado, o Oceano Atlântico, no Hemisfério Norte, permanece aquecido. “É provável que tenhamos uma temporada de furacões na região do mar do Caribe no segundo semestre de 2024, responsável por retirar umidade da Amazônia e transportá-la para o Hemisfério Norte, resultando na redução das chuvas na região amazônica”, destaca Senna.

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