sábado, 26 de setembro de 2026

Estudo investiga impacto do álcool entre indígenas Mayuruna no Vale do Javari

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índios yanoamamis
Uso de álcool entre Mayuruna no Vale do Javari é tema de dissertação acadêmica (Foto Marcelo CamargoAgência Brasil)

Um estudo interdisciplinar analisou o uso prejudicial de álcool entre os indígenas Mayuruna/Matsés da Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas.

Intitulada “Uso prejudicial de álcool: significações produzidas por profissionais de saúde e indígenas Mayuruna/Matsés do Vale do Javari no Amazonas”, a dissertação foi elaborada pelo pesquisador Francisco Takmony Fernandes Dantas, com orientação do professor Dr. Fábio Alves Gomes (UEA) e coorientação da professora Dra. María Rossi Idárraga (UFAM).

A pesquisa faz parte do Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública, Cidadania e Direitos Humanos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e adota uma abordagem histórico-cultural, integrando antropologia, psicologia e serviço social.

Contexto e objetivos

O estudo investigou os aspectos culturais e psicossociais do uso de álcool na Aldeia Lago Grande, localizada na Terra Indígena Vale do Javari, município de Atalaia do Norte.

A pesquisa buscou compreender as significações atribuídas ao consumo de álcool por indígenas e profissionais de saúde, com o objetivo de criar ações intersetoriais voltadas à promoção da saúde e segurança pública na região.

Metodologia e participantes

A abordagem qualitativa adotou princípios do materialismo histórico-dialético e da psicologia sócio-histórica. Os participantes incluíram:

  • 10 indígenas Mayuruna/Matsés: agricultores, estudantes e lideranças, com idades entre 22 e 52 anos (4 mulheres e 6 homens).
  • 11 profissionais de saúde: cirurgião-dentista, psicólogo, nutricionista, entre outros, com idades entre 25 e 47 anos.

O método dedutivo permitiu explorar as práticas culturais e os impactos sociais do consumo de álcool na comunidade.

Principais resultados

A pesquisa revelou que o álcool está ligado a práticas sociais coletivas, como o trabalho comunitário, na cultura Matsés.

No entanto, o uso prejudicial provoca crises individuais e coletivas, gerando violência e tensões que afetam tanto os indígenas quanto os profissionais de saúde que atuam na comunidade.

Entre as recomendações, o estudo destacou:

  • Fortalecer ações interdisciplinares, que envolvam diferentes áreas do conhecimento.
  • Promover a inclusão ativa dos indígenas como agentes de transformação social e de saúde.
  • Ampliar pesquisas sobre o serviço social voltadas à realidade indígena.

Impacto do estudo

O trabalho reforça a necessidade de tratar o uso prejudicial de álcool como um fenômeno cultural, social e de saúde pública.

Ele propõe estratégias colaborativas entre profissionais de diversas áreas e as comunidades indígenas, visando intervenções mais efetivas.

A dissertação completa está disponível no repositório da UEA: Acesse aqui.

*Com informações de assessoria

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