A Pesquisa Global sobre Fraudes e Crimes Econômicos 2024, da PwC, aponta que 55% das empresas enfrentam preocupações com fraudes em procurement, enquanto 81% observam um fortalecimento das leis anticorrupção. O estudo, que entrevistou quase 2.500 empresas em 63 países, revela um cenário de riscos mais complexos, impulsionado por sanções econômicas, suborno e preocupações com trabalho análogo à escravidão.
A fraude em procurement, um dos crimes mais impactantes para as organizações, aparece como uma preocupação para mais da metade dos entrevistados, mas poucos utilizam ferramentas avançadas para combatê-la. Quase 20% das empresas ainda não empregam análise de dados para identificar irregularidades em concorrências. Paralelamente, 81% das companhias avaliam que os governos estão intensificando os esforços para aplicar leis anticorrupção.
Procurement, ou aquisição de bens e serviços, é o processo pelo qual as empresas negociam e contratam fornecedores para suprir suas necessidades operacionais. Ele envolve etapas como seleção de fornecedores, negociação de contratos e controle de qualidade. Quando mal gerenciado, pode ser vulnerável a fraudes, como superfaturamento e manipulação de concorrências.
A preocupação com a exploração de mão de obra também cresce. O estudo revela que 33% das empresas avaliaram ou pretendem avaliar os riscos de trabalho análogo à escravidão em suas cadeias de suprimentos. Entre as companhias com faturamento acima de US$ 5 bilhões, 65% afirmam ter mapeado fornecedores de primeiro e segundo níveis. A União Europeia avança na legislação sobre due diligence em direitos humanos, enquanto os EUA reforçam a fiscalização de importados ligados ao trabalho forçado.
Com relação às sanções internacionais, 59% dos participantes consideram que os controles de exportação se tornaram mais rigorosos, refletindo um aumento na fiscalização. Apesar disso, apenas metade das empresas possui um processo robusto de avaliação de riscos associados a esses controles. O compliance relacionado a sanções está entre as prioridades para 44% das empresas, mas somente 30% testam a robustez de seus programas.
O uso de análise de dados e tecnologia ainda é subutilizado na gestão de riscos. Embora 77% dos executivos confiem em seus programas de compliance, 42% das empresas não possuem gestão de riscos de terceiros ou ferramentas de pontuação de risco. Setores como tecnologia e telecomunicações lideram o uso de analytics para detectar fraudes, enquanto indústrias tradicionais, como a de produção industrial, estão atrasadas na adoção de soluções avançadas.
O Brasil reflete muitas das tendências globais, mas com alguns desafios específicos. Enquanto 70% das empresas acreditam que os esforços anticorrupção estão estáveis ou se fortalecendo, 27% apontam uma perda de intensidade na fiscalização governamental. O risco de corrupção preocupa 31% das empresas brasileiras, e apenas 50% adotam pontuação de risco em seus programas de gestão de terceiros. No combate a fraudes, 60% das empresas brasileiras possuem uma equipe de compliance centralizada, um dos índices mais altos globalmente.
A pesquisa destaca a crescente expectativa para que corporações aprimorem seus programas de compliance e tornem suas operações mais transparentes. Governos estão aumentando a cooperação transnacional na fiscalização de crimes econômicos, e empresas que não se adaptarem correm riscos reputacionais e financeiros.
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