Na Rua Carlos Sampaio, próximo à Avenida Paulista, em São Paulo, filas de pessoas se formam diariamente para participar de um projeto que coleta dados da íris em troca de criptomoedas.
A iniciativa, promovida pela Tools for Humanity, já atraiu mais de 400 mil brasileiros. Apesar do pagamento oferecido, especialistas alertam para os riscos de privacidade e segurança no uso de dados biométricos sensíveis.
A coleta ocorre em locais como a Rua Carlos Sampaio, um dos vários endereços espalhados por São Paulo. O projeto foi criado pela Tools for Humanity, empresa com atuação em 39 países, e utiliza a tecnologia de escaneamento de íris para gerar um “passaporte digital” que distingue humanos de inteligências artificiais.
Os interessados baixam o aplicativo World App, agendam um horário e têm a íris escaneada por um dispositivo chamado Orb. Em troca, recebem 48 unidades de uma criptomoeda chamada Worldcoin, parte delas disponível em até 48 horas.
Segundo dados da Tools for Humanity, mais de 1 milhão de pessoas já baixaram o aplicativo, e 400 mil realizaram o escaneamento no Brasil. A promessa de pagamento tem atraído principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade, motivadas pelo benefício financeiro imediato.
A íris é um identificador biométrico único e permanente. Segundo Nathan Paschoalini, da Data Privacy Brasil, o uso inadequado dessas informações pode levar a vazamentos e abusos.
“Estamos falando de dados que identificam uma pessoa ao longo de toda a sua vida. Isso exige segurança extrema e uma reflexão ética sobre sua coleta.”
Karen Borges, gerente adjunta do NIC.br, alerta para o impacto do pagamento na decisão dos participantes.
“A oferta financeira pode ser vista como exploração de populações em situações de vulnerabilidade. Isso leva as pessoas a ignorarem os riscos por trás da iniciativa.”
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) está investigando a Tools for Humanity para avaliar a transparência e segurança do tratamento das informações coletadas. A agência exige explicações sobre o armazenamento, a anonimização e o uso dos dados.
Cuidados antes de participar
Especialistas orientam que, antes de participar de iniciativas que envolvam o escaneamento de dados biométricos, como a coleta da íris, é essencial ler cuidadosamente os termos de consentimento para entender quais informações estão sendo coletadas, como serão utilizadas e por quanto tempo serão armazenadas.
Além disso, é importante buscar informações sobre as medidas de proteção adotadas pela empresa, verificando se há garantias de anonimização e segurança no tratamento dos dados, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
*Com informações de Agência Brasil
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