As empresas Atlântica Exportação e Importação, Cafebras, Montesanto Tavares Group Participações e Companhia Mineira de Investimento em Cafés entraram com pedido de recuperação judicial para reestruturar um passivo de R$ 2,13 bilhões.
O processo foi protocolado na 2ª Vara Empresarial da Comarca de Belo Horizonte e visa garantir a continuidade das operações das companhias, afetadas por uma grave crise econômico-financeira.
Crise no setor e impactos financeiros
As empresas afirmam que a crise foi desencadeada por rolagens excessivas na entrega de café, inadimplência de produtores e oscilações no mercado global, fatores que comprometeram seriamente o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento das tradings envolvidas.
A escalada dos preços do café nos últimos meses gerou desequilíbrio nos contratos de fornecimento, aumentando os custos operacionais e impactando a rentabilidade das exportadoras.
Além disso, a desvalorização do real frente ao dólar tornou as transações mais onerosas, dificultando a competitividade das empresas brasileiras no comércio internacional.
Em novembro de 2024, as tradings Atlantica Coffee e Cafebras, do mesmo grupo, já haviam solicitado à Justiça a abertura de negociação com credores, reconhecendo dificuldades financeiras e buscando alternativas para evitar a recuperação judicial.
No entanto, diante do agravamento do cenário, o grupo decidiu recorrer oficialmente à reestruturação judicial.
Medidas para reestruturação financeira
O pedido de recuperação judicial tem como principal objetivo reestruturar dívidas, renegociar contratos e buscar alternativas para manter as operações ativas, garantindo o cumprimento de compromissos com fornecedores, clientes e parceiros.
As companhias destacam que a decisão faz parte de uma estratégia para assegurar a continuidade dos negócios, minimizando impactos sobre os colaboradores, produtores rurais e credores envolvidos na cadeia produtiva do café.
“A recuperação judicial formulada está alinhada aos valores da empresa e permitirá superar as dificuldades financeiras. Nosso compromisso com clientes, colaboradores e fornecedores permanece inalterado”, afirmaram as empresas em nota.
Especialistas apontam que a recuperação judicial poderá proporcionar mais fôlego financeiro ao grupo, permitindo a readequação de prazos de pagamento e a estabilização das operações, especialmente diante de um cenário desafiador para o setor cafeeiro.
Setor cafeeiro e volatilidade do mercado
A alta nos preços da commodity e o câmbio volátil são fatores que afetam diretamente as exportadoras, que dependem de contratos firmados com produtores e clientes no exterior.
A valorização do café no mercado internacional elevou os custos de produção e comercialização, ao mesmo tempo em que a instabilidade do câmbio tornou as operações financeiras mais imprevisíveis. Isso impacta diretamente empresas que operam com margens apertadas e necessitam de liquidez para manter contratos de exportação ativos.
Diante desse cenário, a recuperação judicial se torna uma alternativa estratégica para empresas que enfrentam dificuldades momentâneas, mas que possuem potencial para reestruturação e continuidade das operações.
Próximos passos do processo
Com o pedido protocolado, a Justiça analisará a viabilidade do plano de recuperação, que deverá contemplar medidas para renegociação de dívidas e manutenção das atividades da empresa.
Os credores também deverão ser convocados para discutir as condições propostas, definindo prazos, possíveis descontos e ajustes financeiros que viabilizem a recuperação do grupo.
O setor cafeeiro segue atento aos desdobramentos do caso, uma vez que a crise enfrentada pelas exportadoras pode impactar diretamente a cadeia produtiva, afetando produtores, intermediários e mercados consumidores.
A recuperação judicial do grupo pode ser um indicativo das dificuldades enfrentadas pelo setor como um todo, reforçando a necessidade de estratégias mais sólidas para lidar com as oscilações do mercado global de commodities.
*com informações da Infomoney
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