O volume de investimento anjo recuou 2%, em 2022, em comparação ao ano anterior. Os dados são do estudo conduzido pela organização sem fins lucrativos Anjos do Brasil.
Em 2022, os investidores anjos brasileiros aportaram aproximadamente R$ 984 milhões em startups.
Atualmente, o volume de investimento em startups no Brasil representa apenas 0,7% do total investido nos Estados Unidos, o qual chega a cerca de 29 bilhões de dólares anualmente.
Levando em consideração a relação do PIB entre os países, que é de aproximadamente 14 vezes, o investimento anjo no Brasil deveria ser de pelo menos R$ 10 bilhões.
Todavia, o número de investidores anjo no Brasil registrou um aumento de 2%, totalizando atualmente 7.963 investidores anjo.
A pesquisa também revelou a perspectiva dos investidores para 2023, que antecipam uma redução de pelo menos 4% em seus investimentos.
Essa expectativa representa o pior cenário desde o início da série histórica em 2011, marcando a primeira vez em que os investidores preveem uma diminuição em seus investimentos.
Para que o Brasil alcance todo o seu potencial de investimento, é essencial criar políticas públicas de estímulo ao investimento em startups, conforme recomendado pela OCDE.
Essa abordagem já é aplicada em vários países, incluindo todos os BRICS, exceto o Brasil.
Perfil dos investidores e principais mercados
A pesquisa revelou que a maioria dos investidores anjo brasileiros são brancos (86%), enquanto 6,6% se identificaram como pretos, pardos ou indígenas, e 5% como amarelos.
Além disso, houve um aumento na participação das mulheres no universo de investidores, passando de 16% em 2021 para 18%.
Embora esses dados indiquem uma evolução, a presença de diversidade ainda é lenta no ecossistema brasileiro de investimento anjo.
A pesquisa também revelou os setores nos quais os investidores têm maior interesse.
As agritechs se destacaram, com 58% de interesse, seguidas por SaaS (Software-as-a-Service) com 49%, Tecnologias para Saúde e Educação com 48% e 45%, respectivamente, superando as Fintechs com 42%.
Observou-se ainda um crescimento significativo no interesse por startups de tecnologias como inteligência artificial, big data, realidade virtual/aumentada, também conhecidas como Deeptechs, indicado por 41% dos entrevistados.
O relatório completo está disponível em www2.anjosdobrasil.net/blog