O secretário de Política Econômica do Ministério da Economia, Adolfo Sachsida, afirmou nesta sexta-feira (23) que é preciso “passar a faca” no Sistema S, que é formado por nove instituições indendentes (Senai, Senac, Sesc, Sesi, Senar, Sescoop, Sest, Senat e Sebrae), ligadas a federações e confederações empresariais dos principais setores da economia.
O objetivo de Sachsida é destinar recursos destas instituições para o programa de inclusão de jovens carentes no mercado de trabalho, planejado pelo governo. A proposta do Planalto prevê o pagamento de bolsas no valor R$ 550 para a qualificação de jovens de baixa renda. Metade deste valor seria bancada pelo Sistema S e a outra metade pela empresa à qual o jovem presta serviço.
“Temos que passar a faca no Sistema S para passar para o jovem carente. Não podemos deixar uma geração inteira de jovens pobres ser sacrificada porque algum lobby não quer dar uma contribuição mais do que justa neste momento”, disse o secretário, durante live promovida pelo jornal Valor Econômico.
A estimativa é de que o programa consuma R$ 6 bilhões em recursos do Sistema S.
“Temos um sistema que tem bilhões em caixa e em imóveis. Tem dirigentes que ganham R$ 60 mil por mês. É inaceitável esse sistema não aceitar contribuir com um programa de qualificação de jovens carentes”, declarou.
Rapidamente, entidades empresariais se manifestaram contra a proposta.
Indústria se posiciona
Representando a indústria, o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) divulgaram nota conjunta na qual lamentam as declarações que, segundo as entidades, “demonstram profundo desconhecimento de como as instituições já contribuem, de forma efetiva e permanente, com a inserção de jovens brasileiros no mercado de trabalho, sobretudo os de classes menos favorecidas”.
Já para o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson Braga de Andrade, afirmações do secretário Adolfo Sachsida, desprezam contribuição das instituições para qualificação e aumento da empregabilidade do trabalhador.
“Querer desestruturar o trabalho já realizado pelo Sesi e pelo Senai por meio de uma ‘facada’, na tentativa de enfraquecer duas das principais instituições com capacidade para contribuir com os esforços de reduzir a informalidade e o desemprego no país, isso sim, é condenar uma parcela da população à pobreza”, afirmou.
Ainda segundo a nota, o Senai é a principal instituição de ensino técnico e profissional do país, com mais de 80 milhões de trabalhadores formados em oito décadas de atuação. Já o Sesi oferece educação básica focada na formação para o futuro do trabalho a mais de 900 mil jovens.
“Embora o secretário do Ministério da Economia demonstre não saber, o Senai já participa de três programas iniciados em 2020 justamente com foco na inserção de jovens no mercado de trabalho e no aumento da produtividade de empresas: o Emprega Mais, o Brasil Mais e o Aprendizagem 4.0, sendo que este busca formar uma nova mão de obra para a indústria brasileira e tem como premissa inserir a juventude nas tecnologias digitais tão requeridas no processo de transformação digital das empresas”, completa a publicação.
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