O desabastecimento de óleo diesel nos próximos meses, se de fato ocorrer, coloca em risco toda a economia do Brasil. Seriam afetadas a produção de comida, a inflação, a exportação de grãos e o PIB. Essa é a avaliação de analistas ouvidos pelo portal Uol a respeito da possibilidade de faltar combustível no segundo semestre. Para eles, no entanto, é pouco provável que haja um desabastecimento generalizado de combustível.
No fim de maio, a Petrobras enviou ofício ao MME (Ministério de Minas e Energia) alertando para o risco de desabastecimento de diesel no país. Na última quarta-feira (8), a estatal fez novo alerta e defendeu o alinhamento de preços do diesel no Brasil com o exterior, para garantir a oferta interna do combustível.
Uma das principais preocupações é com o transporte da safra de grãos das áreas produtoras para os portos brasileiros, conforme o professor Carlos Antônio Moreira Leite, do Departamento de Economia Rural da UFV (Universidade Federal de Viçosa).
Hoje as cooperativas e os produtores em geral não precisam transportar tudo de uma só vez para o porto. Há uma capacidade relativamente boa de armazenamento nos locais de produção e, por isso, o escoamento da safra vai sendo feito no segundo semestre. O grande complicador é exatamente o diesel, porque o transporte ainda é muito dependente de caminhões
Dificuldade também para o plantio
O desabastecimento de diesel, se ocorrer, poderá colocar em risco também a safra de 2022/2023 de alimentos em geral. O professor da UFV lembra que o plantio no segundo semestre deste ano depende de insumos que vêm de outros países.
É o caso de fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas. Esses produtos chegam aos portos brasileiros e precisam ser distribuídos no interior, muitas vezes por meio de caminhões movidos a diesel.
“Os fertilizantes em grande parte estão chegando ao Brasil para a próxima safra. Eles estão nos portos, mas precisam ser levados para o ‘interior do interior’, onde estão as zonas produtivas”, explica Leite.
Se houver desabastecimento, pode ocorrer interrupção de rotas. Outra possibilidade é a de que o custo do diesel dispare, em razão da oferta restrita. Nesse caso, o produtor pode ser forçado a repassar, para o restante da cadeia, o aumento do custo para obter insumos. O resultado seria mais inflação.
“Se não houver diesel, o custo de produção vai aumentar violentamente. E temos uma população que já está sofrendo com o aumento de preços”, diz o professor.
Com informações da Folha de São Paulo
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