quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Repetindo Dilma, Bolsonaro não deve reajustar preços de combustíveis

Apesar da quebra de acordo de paridade com mercado internacional, especialistas não acreditam que presidente assuma risco e que alta de preços só virá após as eleições.
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Procon-AM combustíveis

Com os preços da gasolina e do diesel no país apresentando defasagem em relação ao mercado internacional, o presidente Jair Bolsonaro (PL) não deverá assumir o risco eleitoral de uma subida nos preços dos combustíveis em plena campanha à reeleição.

Com isso, a Petrobras deverá segurar os preços até o fim do período eleitoral, repetindo o erro cometido pela então também candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) em 2014. A avaliação é de especialistas ouvidos pelo Real Time1.

De acordo com dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o diesel é o mais impactado. O litro do combustível está 13% mais barato, o que significa que é possível elevar o preço em R$ 0,75. Já a gasolina está defasada em 10%, com o litro R$ 0,36 mais barato do que em outros países.

O economista Mourão Júnior explica que esse descompasso é consequencia da quebra, por parte do governo Bolsonaro, do acordo que previa a paridade dos preços praticados pela Petrobras com o mercado internacional, assinado pelo então presidente Michel Temer (MDB).

“Devido à pressão do governo, na época de aumentos consecutivos – em consequência do próprio acordo e à disparada dos preços do barril do petróleo, Bolsonaro aproveitou uma leve redução no preço internacional do petróleo para descumprir o acordo. Só que agora a moeda está virando”, alerta Mourão.

“Já vimos essa história no passado. No governo da Dilma, a intervenção do Estado causou danos à Petrobrás. Agora estamos, provavelmente, visualizando o mesmo erro. O acordo não está sendo cumprido e a venda dos combustíveis não está compensando. Devemos visualizar, mais uma uma intervenção num momento em que não poderia ter”, lamenta.

Essa é a mesma opinião da economista e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Michele Lins Aracaty e Silva. Para ela, mesmo com a represagem dos preços pela Petrobrás, a população brasileira deverá sentir a alta nos preços dos combustíveis até o fim deste ano.

“Acredito, sim, que a Petrobrás irá segurar os preços. Mas como nós teremos uma redução da oferta do produto a nível internacional, justamente para provocar uma elevação no preço do barril de petróleo, nós vamos sentir daqui a alguns meses – talvez no fim de dezembro – uma subida nos preços, não só aqui no Brasil, mas também em todos os países que dependem do petróleo”, conclui a especialista.

Texto: Lucas Raposo

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