quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Preço da carne acumula alta de 35,7% em 12 meses; entenda por que

Só no mês passado, por exemplo, o valor do produto subiu 1,77% e foi um dos responsáveis pela elevação de 0,48% nos gastos das famílias com o grupo Alimentação e Bebidas.
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carne consumo
Em algumas lojas de São Paulo o desabastecimento de carne e frango já começou. (Reprodução/internet)

Dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 ( IPCA-15), divulgados no último dia 25 de maio pelo IBGE confirmaram o que os consumidores brasileiros já vinham sentindo no bolso: a disparada nos preços das carnes. Ainda segundo os números, em 12 meses, o preço do alimento acumula alta de 35,7%. O índice é cinco vezes superior à inflação acumulada no período (6,10%).

Só no mês passado, por exemplo, o valor do produto subiu 1,77% e foi um dos responsáveis pela elevação de 0,48% nos gastos das famílias com o grupo Alimentação e Bebidas, segundo o IPCA-15, que é considerado uma prévia da inflação.

Dólar alto e exportações impactaram os preços

Entre os motivos apontados pelo IBGE para a vertiginosa subida no preço estão o dólar alto, atualmente cotado a R$ 5,07, e o incremento nas exportações, que diminui a oferta do alimento no mercado nacional.

Somente no mês de abril, os embarques de carne bovina do país (in natura e processada) somaram 152.626 toneladas, com uma receita de US$ 706,7 milhões, números que representam alta de 23% na comparação com o mesmo mês de 2020, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A China é o principal destino do produto.

Alimentação animal também pesa

Além disso, em nota divulgada um dia antes do resultado do IPCA-15, no dia 24, representantes das indústrias de carnes suína e de frangos alertaram sobre a possibilidade de novos aumentos nos preços finais das proteínas. Os reajustes estariam relacionados justamente à alta do dólar, que impacta diretamente o preço das commodities brasileiras.

De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o milho e a soja, insumos básicos para a produção de ração e responsáveis por cerca de 70% dos custos de produção, “acumulam altas nunca registradas no País”..

Ainda segundo a entidade, no caso do milho há registro de aumentos superiores a 100%, enquanto a as elevações no preço da soja acumularam mais de 60% em relação ao mesmo período de 2020.

Vem mais aumentos por aí

“E há outro agravante: a carne de aves, de suínos e ovos que hoje estão com preços mais elevados foram produzidos utilizando grãos adquiridos em 2020 – quando os valores por tonelada eram menores.  Por isto, novas elevações de preços deverão alcançar a população brasileira nos próximos meses, em um momento crítico para a renda e para a segurança alimentar de nosso país”, adianta a nota.

Da mesma forma, a ABPA também cita aumentos nos preços do óleo diesel (+ – 30%), embalagens de papelão (+60%) e embalagens rígidas e flexíveis (+ 80%).

Como forma de diminuir os prejuízos e evitar uma inflação ainda maior nos preços dos alimentos, a Associação pediu novas desonerações tributárias ao governo e a implementação de medidas que viabilizem importações de insumos com custos mais baixos.

Texto: Lucas Raposo

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