Duas novas lojas de roupas, por dia, foram abertas no Amazonas entre janeiro e março deste ano. A média leva em consideração dados do “Empresômetro”. O segmento de vestuário é o que mais cresce no estado, com uma alta de 5% em novos negócios no primeiro trimestre de 2023.
De janeiro até março, foram abertas ou formalizadas a criação de 642 novas lojas. No Amazonas, são 13.417 estabelecimentos do segmento de comércio varejista de vestuário em funcionamento.
Atrativo para os novos empreendedores, o ramo lojista é extremamente competitivo. A comerciante Ana Paula Silva destaca que é preciso investir pesado no marketing para conseguir driblar problemas como oscilação de preços de fornecedores estrangeiros e nacionais e a logística de transporte.
“Trabalhamos com divulgação e patrocinadores para engajar a loja e chamar a atenção dos clientes. A expectativa para esse ano é mesmo de crescimento, já que apostamos em estratégias e estudos de mercado para alavancar a empresa”, disse Silva, que administra a loja Lola Fernandes, focada em moda feminina no Centro de Manaus.
Abrir um negócio exige planejamento
A lojista afirma que o aluguel dos estabelecimentos onde funcionam as três lojas que administra no Centro de Manaus, é R$ 1.500 mais barato que a locação de um espaço dentro de shopping, por exemplo.
“As opções são totalmente diferentes. No Centro, você consegue entrar só com o valor do aluguel, o que é bom para o lojista. Fora isso, o fluxo de clientes também é consideravelmente maior que nos shoppings, o que compensa mais o investimento inicial”, disse.
Paula explica que para abrir uma loja em shopping é necessário cumprir algumas exigências, como contratar um arquiteto e pagar uma “luva”. O termo é usado para definir o valor pago adiantado pelo locatário ao locador, além do aluguel e demais despesas.
Por este motivo, a empresária fechou as portas de um dos empreendimentos, localizado em um shopping na zona norte, e considera mais vantajoso o aluguel de espaços no Centro da cidade.
De acordo com o Analista de Negócios do Sebrae-AM, Jonas Reis, o empreendedor deste segmento varejista deve se atentar a alguns fatores durante o processo de investimento e legalização da empresa.
Valor de aluguel e previsão de lucros, responsabilidade pelas taxas e tributos (IPTU, água, energia, seguro e etc), manutenção do imóvel e possíveis multas rescisórias.
Jonas explica que para abrir uma loja deste segmento é preciso “ter um estudo de viabilidade de mercado do local onde pretende instalar a empresa, conhecer a persona do potencial cliente do local e do entorno onde abrirá a loja e ser bem assertivo no produto a ser oferecido”.
Além disso, também é obrigatório cumprir certas etapas formalmente, como oficializar a empresa através do MEI (Microeemprendedor Individual) junto ao Sebrae e contratar um contador ou consultor.
“O Sebrae disponibiliza um programa de apoio ao pequeno empresário que deseja migrar de porte ou formalizar o seu empreendimento. Esse programa subsidia 50% do valor total de uma consultoria para abrir uma Microempresa ou para migrar um MEI para ME. O empresário interessado em formalizar a sua empresa investe os outros 50% a título de contrapartida”, informa o analista.
Shoppings são preferidos da classe média
Nos shoppings, as grandes lojas nacionais acabam tendo a preferência dos consumidores, mas os estabelecimento também favorecem as lojas mais segmentadas, ou seja, especializadas em vender lingeries, roupas esportivas e infantis, por exemplo.
No Sumaúma Park Shopping, localizado na Cidade Nova, zona norte de Manaus, são 29 lojas de vestuário. Quase metade delas foi aberta no último ano. Foram ao todo, dez novas lojas.
Apesar dos custos mais elevados com aluguel, os centros comerciais têm a predileção dos novos empreendedores. Conforme o corretor de imóveis, Danilo Tamer, a preferência se dá pela ascensão da classe média, que representa tanto a maioria dos consumidores e empreendedores desse segmento.
“A escolha do local de vendas sempre leva em consideração o valor por metro quadrado, que varia bastante de acordo com as condições dos espaços disponíveis para alugar. Encontramos lojas com valor de metro quadrado entre R$ 60 e R$ 200 em Manaus. Além disso, a estrutura, o fluxo do local, segurança e estacionamento também são observados”, explica o corretor.
Ele afirma que, em Manaus, não há bairros específicos para instalação de lojas de vestuário, ainda que alguns pontos já sejam conhecidos como referência para o setor pela boa localização.
“Para ajudar na decisão, os lojistas também se atentam à “vizinhança”, já que ter uma loja âncora ao lado sempre valoriza o espaço. Alguns desses locais já são tradicionais na cidade, como a Djalma Batista, Avenida J na Alvorada, Fuxico, no Jorge Teixeira, Avenida Autaz Mirim, na zona Leste, entre outros”.
Estratégias para impulsionar vendas
Segundo a Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus), o setor se destacou, principalmente, porque as lojas investiram em estratégias de omnichannel, quando uma tendência do varejo se baseia na concentração de todos os canais utilizados por uma empresa.
Além disso, as promoções e descontos oferecidos pelos estabelecimentos são determinantes para atrair os clientes.
A entidade também afirma que “o comércio eletrônico foi um fator importante para o resultado positivo do segmento, já que muitas pessoas passaram a comprar roupas pela internet durante a pandemia, gerando concorrência no setor e estimulando as lojas a se adaptarem também ao digital”.
A CDL Manaus destaca a importância do segmento para a economia local e incentiva os lojistas a continuar investindo em estratégias inovadoras para atender às demandas dos consumidores.
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