A alta da inflação, do aumento escalonado dos preços, somados aos entraves produtivos e logísticos, segue afetando as vendas no comércio. Mas, empresários do setor acreditam que o ‘tradicional’ incremento nas comercializações do segundo semestre deverá impulsionar o desempenho do setor comercial no fechamento do ano.
Pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última sexta-feira (10) apontou que em julho as vendas reduziram 1,5% em relação a junho. Foi a segunda queda consecutiva e o terceiro pior desempenho em relação aos estados analisados pelo instituto.
Na comparação com julho de 2020 a queda ainda foi mais expressiva (-9,7%). Pelos resultados de julho, o setor do comércio do Amazonas registrou crescimento (+4,3%) apenas na análise anual.
O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, atribui o desempenho negativo das vendas do comércio a um conjunto de fatores, como: à interrupção no funcionamento do comércio até o mês de março devido à pandemia da Covid-19; aos fechamentos e ocorrências de congestionamentos nos portos da China, agravados pela falta de contêineres e de navios; reajustes constantes nos preços do combustível; a alta do dólar, e ainda, à redução expressiva do poder de compra do consumidor.
“Enfrentamos uma série de situações que mexeram com a estrutura da atividade comercial. O cenário também foi fortemente afetado pelo desabastecimento de embalagens plásticas e metálicas. O conjunto dos fatores gerou a escalada dos preços e o aumento no custo de vida. Apesar de todas as dificuldades, crescemos na arrecadação do ICMS estadual nesse período”, destacou o empresário.
Frota acredita que a partir de setembro o comércio poderá contabilizar crescimento nas vendas e no faturamento em relação a agosto deste ano. A previsão positiva também se mantém, segundo ele, para o encerramento de 2021.
“É possível que a partir de setembro o comércio registre crescimento de pelo menos 3% nos resultados em relação ao mês anterior. A normalização da economia vem acompanhada da geração de emprego e renda, o que possibilita o consumo”, comentou.
Para o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas (FCDL-AM),
Ezra Azury Benzion, o principal fator do resultado negativo registrado pelo comércio é a alta da inflação.
“Ainda enfrentamos o processo da pandemia e as pessoas perderam renda. A inflação está ‘corroendo’ o poder de compra do consumidor que acaba sofrendo um descompasso entre o que quer e o que pode comprar. O consumo hoje, está direcionado ao que é prioridade e para a manutenção das necessidades básicas”, explicou.
Texto: Priscila Caldas
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